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quinta-feira, 10 de abril de 2008, 11:25 | Online

Economia global vive situação entre 'gelo e fogo', diz FMI

"Gelo é a desaceleração do crescimento global e o fogo é o aumento da inflação", explicou

Nalu Fernandes, da Agência Estado

Dominique Strauss-Kahn, do FMI

AP Photo/Haraz N. Ghanbari

Dominique Strauss-Kahn, do FMI

WASHINGTON - A economia global experimenta uma situação entre o gelo e o fogo, afirmou hoje o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn. "Gelo é a desaceleração do crescimento global e o fogo é o aumento da inflação", explicou ele, em entrevista na sede do Fundo, em Washington.

Para Strauss-Kahn, a questão agora é avaliar como a crise financeira, com epicentro nos Estados Unidos, será transmitida para o globo. O executivo destaca uma desaceleração de 1% no crescimento dos EUA, tomando por base a projeção divulgada na quarta-feira, 9, no relatório de Perspectiva Econômica Mundial (WEO, na sigla em inglês). Nesta divulgação, no Encontro de Primavera, o Fundo prevê avanço da economia dos EUA de apenas 0,5% em 2008, o que significa uma redução ante a projeção anterior de 1,5% feita na revisão do documento em janeiro deste ano.

Veja abaixo os principais pontos da entrevista coletiva do diretor-gerente do Fundo:

 

Crise mundial

 

Em função da crise financeira internacional, deflagrada a partir do mercado de hipotecas subprime nos Estados Unidos - com alto risco de calote, o diretor do Fundo prevê maior custo de financiamento nos mercados globais de crédito. Ele enfatiza que a questão de preços no setor de imóveis ainda não ficou para trás, fato que analistas de mercado têm advertido que pode provocar maior aversão ao risco nos mercados financeiros. Por isso, além do canal tradicional de transmissão de choques, por meio do comércio, há novos canais de transmissão do aperto do crédito.

 

Emergentes

 

Na avaliação do diretor-gerente do FMI, "a tese de descolamento (dos emergentes, ante a crise internacional) é enganadora". Ele afirmou que não há descolamento dos emergentes em relação à economia global, mas, sim, "defasagem" na transmissão da crise. O executivo reiterou a visão de crescimento mais resiliente nas economias emergentes, mas enfatizou que estas economias não estão imunes à crise atual e citou que persistem riscos à economia global. O diretor-gerente do Fundo exemplificou que o crescimento das economias da China e da Índia estão cerca de 1% abaixo do nível em que estariam sem a ocorrência desta crise.

 

Inflação

 

Ele destaca que há o risco de que a inflação no mundo continue em alta, principalmente depois que o gelo derreter, ou seja, quando a desaceleração global chegar ao fim. O executivo avalia o avanço da inflação no globo como preocupação-chave. "O preço dos alimento avançou 46% de 2006 até agora", afirmou. O risco central é que o avanço da inflação possa minar os ganhos obtidos pelas diversas economias no globo nos anos recentes, alerta o número um do Fundo. Entre as ações para o combate ao avanço de preços serão necessárias ações na área macroeconômica, ações de aspecto técnico e retirada de obstáculos globais para elevar a oferta. "A resposta é produtividade", estima.

 

Atuações de BCs

 

O Fundo está avaliando com bancos centrais mundiais o que pode vir a ser uma forma padronizada de intervenção nos mercados, afirmou Strauss-Kahn. Ele destacou que um processo de intervenção padronizada é importante pois "o sinal pode ser melhor entendido pelo mercado se for dado da mesma forma por diferentes bancos centrais. Trabalhar com os BCs é importante para o futuro". No entanto, ele reiterou a percepção de que os BCs fizeram as intervenções "de forma correta". "O que foi feito pelos bancos centrais foi exatamente o que poderia ser esperado para evitar que a crise se espalhasse".

 


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