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quinta-feira, 10 de abril de 2008, 17:32 | Online

CNI tenta evitar alta de juros e pede corte de gasto público

Estudo da CNI destaca que alta dos juros impede investimento do setor privado e não evita consumo

Lu Aiko Otta, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - Às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) que, segundo as apostas do mercado, deverá elevar a taxa de juros básica da economia (Selic), a Confederação Nacional da Indústria (CNI) tenta impedir uma possível alta dos juros, indicando pelo menos três argumentos. São eles: 1) os investimentos do setor privado são suficientes para sustentar o aumento da produção e da demanda; 2) a exemplo do que ocorreu em 2004, uma elevação das taxas de juros derrubaria o investimento privado e não o consumo das famílias; 3) diante disso, a melhor forma de conter a demanda seria restringir os gastos do setor público e não elevar as taxas de juros.

 

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Para refutar os argumentos do Banco Central de que os investimentos na produção não têm sido suficientes para acompanhar o crescimento da demanda, constituindo-se assim numa fonte de pressão inflacionária, a CNI informa que, a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) caiu no início de 2008, a despeito de a produção industrial haver crescido.

 

Nos dois primeiros meses deste ano, o UCI está em 83%, contra 83,1% registrados no quarto trimestre de 2007. Nos mesmos períodos, a produção industrial aumentou de 7,9% para 9,2%. "Essa diferença nas trajetórias do ritmo da atividade econômica e da UCI é um fato novo e sinaliza ampliação do parque produtivo, a partir dos investimentos realizados entre 2006 e 2007", diz o estudo obtido com exclusividade pela Agência Estado.

 

"Mais do que isso, há indícios de que em 2008 a formação bruta de capital deve continuar a crescer a taxas de dois dígitos, o que deve promover expansões adicionais significativas da capacidade instalada ao longo de todo este ano."

 

Consumo das famílias

 

Outra razão apontada pelo Banco Central para uma eventual alta dos juros é o excessivo crescimento do consumo das famílias. Nesse quadro, a elevação dos juros funcionaria para conter essa tendência. "No entanto, uma política monetária restritiva nesse momento poderá - mais do que conter o consumo - limitar os investimentos", alerta a entidade. "Pelo menos, foi o que ocorreu em 2004."

 

Em setembro daquele ano, também para conter um quadro de demanda aquecida, o Banco Central elevou os juros em 0,25 ponto porcentual, seguida por mais duas rodadas de 0,5 ponto. O impacto sobre os investimentos foi imediato, diz a CNI. "A formação bruta de capital fixo recuou 0,2% no quarto trimestre de 2004 e, adicionalmente, caiu 1,4% no primeiro trimestre de 2005", diz o estudo.

 

O consumo das famílias, por sua vez, pouco foi afetado. "Os gastos familiares - que cresciam 1,2% por trimestre, na média dos quatro trimestres que antecederam ao início da elevação de juros - passaram a expandir 1,1% ao trimestre na média dos quatro trimestres que sucederam ao início da elevação de juros."

 

A elevação dos juros não é, porém, a única forma de conter a demanda, diz o estudo. "Os gastos do governo podem - e devem - contribuir para reduzir a pressão sobre o consumo agregado (público e privado). Desde 2004, porém, o que se detecta é que as despesas do governo crescem mais do que o Produto Interno Bruto (PIB). "A CNI recomenda, portanto, a restrição da política fiscal", diz o estudo. "A redução do gasto público arrefeceria a pressão sobre o consumo e sobre os preços, preservando os investimentos privados."


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