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segunda-feira, 14 de abril de 2008, 11:34 | Online

Uso de biocombustíveis é crime contra a humanidade, diz ONU

Segundo Jean Ziegler, relator das Nações Unidas, argumentos a favor dos biocombustíveis perderam a validade

Efe

BERLIM - O relator da Organização das Nações Unidas, Jean Ziegler, afirmou nesta segunda-feira, 14, em uma entrevista à Rádio Televisão de Baviera, que o uso de biocombustíveis se tornou um "crime contra a humanidade" em vista dos problemas que o mundo enfrenta atualmente com o preço dos alimentos.

 

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Ziegler disse que a queima de milhões de toneladas de milho, cereais, arroz e outros produtos para produzir biocombustíveis é um fator importante nas fortes altas de preços de alimentos, ainda que tenha admitido que não é o único.

 

Entre os outros fatores citados por ele estão a política do Fundo Monetário Internacional - que obriga muitos países de terceiro mundo a ter uma agricultura orientada para a exportação às custas da economia de subsistência - e a especulação dos mercados que ajuda a disparar os preços dos alimentos.

 

Ziegler advertiu que estamos atualmente no limiar de uma situação perigosa em que as manifestações contra a fome podem se multiplicar, protagonizadas por pessoas que lutam por sua sobrevivência e que temem por sua vida.

 

A respeito dos biocombustíveis, ele afirmou que os argumentos originais a favor deles, tanto do ponto de vista da proteção do clima como do ponto de vista estratégico, não eram absurdos, porém, diante da ameaça de uma catástrofe humanitária, perderam a validade.

 

"Os argumentos não têm validade frente ao desastre que nos ameaça. Hoje, o uso e fomento de biocombustíveis é um crime contra a humanidade", disse Ziegler.

 

As declarações foram feitas depois de o Banco Mundial advertir que a alta nos preços dos alimentos em todo o mundo gerava risco de protestos violentos em 33 países.

 

Em alguns, como o Haiti, as primeiras manifestações contra a inflação já foram registradas.


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