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quarta-feira, 30 de abril de 2008, 17:43 | Online

Investment grade reflete boa política econômica, diz S&P

Principal agência de classificação de risco elevou o Brasil a grau de investimento; Bolsa dispara

Ricardo Leopoldo, da Agência Estado

SÃO PAULO - A diretora de rating soberano da Standard & Poor's, Lisa Schineller, afirmou, de Nova York, em entrevista exclusiva à Agência Estado, que o investment grade  que a agência internacional concedeu nesta tarde ao Brasil reflete o bom nível da política econômica, caracterizado por uma postura "pragmática", especialmente na manutenção da solidez das contas públicas e na liberdade para que o Banco Central continue combatendo a inflação com rigor.

 

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"A política econômica pragmática do Brasil indica que o País tem uma perspectiva de crescimento mais forte no futuro e que deve ser sustentável", comentou.

 

Lisa afirmou que acredita que a política econômica desenvolvida pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve continuar no longo prazo. Tal política é sustentada pelo regime de metas de inflação, austeridade fiscal e câmbio flutuante. "Essa ação do governo gera as bases para mitigar o tamanho da dívida pública em relação ao PIB no Brasil, que é maior do que em outros países que já são investment grade", disse.

 

Na avaliação de Lisa, duas ações do governo Lula foram decisivas para que o Brasil conquistasse o investment grade. Uma delas foi a decisão do presidente de manter a austeridade fiscal e preservar a meta do superávit primário de 3,8% do PIB, que foi ratificada diversas vezes ao longo de sua administração, inclusive quando o Congresso rejeitou a aprovação da CPMF em dezembro do ano passado.

 

Para ela, a tendência da economia brasileira registrar uma trajetória de expansão mais forte nos próximos anos dá condições para que o País tenha credibilidade para financiar o déficit de transações correntes, que de acordo com o Banco Central deve atingir US$ 12 bilhões.

 

Outro fator relevante foi a decisão do presidente da República de manter a total liberdade do Banco Central para utilizar todos os instrumentos necessários de política monetária para garantir a estabilidade econômica, sobretudo para combater a alta da inflação e preservá-la no centro da meta de 4,5% determinada pelo Conselho Monetário Nacional.

 

"Estas decisões indicam que o País está comprometido com políticas robustas que visam preservar a rota de crescimento por vários anos, marcada pelos bons resultados das contas públicas e inflação sob controle", apontou.

 

De acordo com o Banco Central, em março o superávit primário atingiu 4,46% do PIB no acumulado em 12 meses, o melhor resultado desde outubro de 2005, quando atingiu 4,65% do produto interno bruto. A Agência Estado foi o primeiro órgão de imprensa para quem a diretora da S&P concedeu entrevista a fim de explicar o investment grade concedido ao Brasil.


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