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quinta-feira, 1 de maio de 2008, 15:55 | Online
Reajuste de combustíveis foi 'adequado', diz Gabrielli
Presidente da Petrobras diz que não seria correto repassar reajuste internacional total ao mercado interno
Nalu Fernandes, da Agência Estado
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Desde o último aumento de preços implementado pela Petrobras, em 2005, o petróleo teve escalada de US$ 60 por barril para mais de US$ 100 no mercado internacional - nas máximas atingidas no começo desta semana, chegou perto dos US$ 120. O executivo apontou que mais de 70% dos custos da Petrobras na área de produção de petróleo estão ligados ao preço da commodity no mercado externo, sendo que 50% dos impostos seriam pagos a preços internacionais. Ao ser questionado se isto não justificaria que os reajustes no mercado brasileiro fossem mais freqüentes, Gabrielli emendou que "não necessariamente". "Significa que temos de ser mais eficientes."
Quanto à discrepância entre o forte avanço dos preços internacionais do petróleo e o nível dos aumentos anunciados, o presidente da Petrobras acredita que, no caso particular do Brasil, "defasagem (de preços) é um conceito que precisa ser analisado a longo prazo". Para o País, "o ajuste de preços foi adequado na conjuntura atual", disse ele na sede da ONU, em Manhattan, onde esteve reunido com outros 19 lideres da iniciativa privada, ONGs e sindicatos para o primeiro encontro de 2008 do Conselho Diretor do Pacto Global, do qual faz parte.
Gabrielli fez questão de destacar que o aumento de preços foi uma "decisão comercial". Uma atividade normal da empresa, que define preços em função das condições do mercado e dos custos. "É uma decisão absolutamente normal, não tem nada de excepcional", afirmou. Segundo ele, como a empresa não alterava os preços da gasolina no Brasil há "muito tempo, isso provocou repercussão na sociedade". "Mas é uma atividade absolutamente normal em uma empresa, a de definir preços", reiterou.
Cide
Gabrielli, contudo, elogiou a equipe econômica, dizendo que "o governo agiu corretamente" para minimizar os impactos do aumento (às pressões inflacionárias), ao reduzir a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) - na gasolina, a Cide cairá de R$ 0,28 por litro para R$ 0,18; no diesel, de R$ 0,07 para R$ 0,03 por litro. Com isso, acrescentou Gabrielli, "o aumento da gasolina não deve ter nenhum impacto para o consumidor e o impacto do diesel é muito pequeno no IPCA".
Para Gabrielli, a política de preços da empresa "continua a mesma". "Não pretendemos fazer com que o mercado brasileiro seja um mercado que represente exatamente, a cada segundo, o que acontece no mercado internacional. Consideramos que a situação no mercado brasileiro é muito diferente da situação do mercado internacional", completou.
O executivo enumerou diferenças para justificar por que os preços domésticos não precisam acompanhar as variações internacionais. "No caso do Brasil, mais da metade do combustível para veículos leves não é gasolina. Temos um grande refinador, com grande número de distribuidoras. Portanto, é um mercado completamente diferente dos mercados internacionais. Temos ainda uma situação em que a empresa produtora de petróleo, a Petrobras, é a única grande empresa do mundo que tem a produção de petróleo associada ao refino e voltada, fundamentalmente, para o mercado nacional. (Estas) são situações especiais, pelas quais não consideramos correto tentar transferir para o mercado brasileiro qualquer flutuação no mercado internacional", acrescentou.
O presidente da Petrobras descartou a possibilidade de novos ajustes de preços próximos aos anunciados na quarta. "Não vamos fazer novos reajustes. Nossa política é a política de acompanhar o longo prazo. Nós não mudamos nossa política", afirmou. De acordo com Gabrielli, os ajustes anunciados nesta quarta-feira refletem "uma mudança que consideramos que foi consolidada como um novo patamar de preços internacionais". "Ou seja, estamos mantendo a mesma política dos últimos cinco anos."
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