terça-feira, 1 de julho de 2008, 09:06 | Online
Após 2 meses de alta, indústria cai em maio puxada por veículos
Produção recua 0,5% em maio ante abril, mas acumula alta de 6,2% no ano; produção de bens de capital cai 4,9%
Jacqueline Farid, da Agência Estado
Os dois segmentos são os que mais tem puxado o crescimento industrial desde o ano passado e, segundo o coordenador de indústria do instituto, Silvio Sales, as quedas devem ser pontuais e não há sinal de inversão significativa de tendência de crescimento nessas atividades. Com o resultado de maio, a produção industrial nacional acumula alta de 6,2% no ano até maio. Já no período acumulado de 12 meses até maio, a alta é de 6,7%.
A produção de bens de capital (máquinas e equipamentos), que sinaliza o desempenho dos investimentos no País pelo setor industrial, caiu 4,9% em maio ante abril, mas manteve a trajetória de alta em maio ante igual mês do ano passado (5,8%). Na comparação com abril, foram registrados os seguintes resultados nas demais categorias de uso pesquisadas: bens intermediários (0,3%); bens de consumo duráveis (-1,3%) e bens de consumo semi e não duráveis (1,3%).
A queda de 4,9% registrada na produção de bens de capital em maio ante abril é a maior apurada pelo IBGE nessa categoria, ante mês anterior, desde julho de 2005. Apesar do mais forte recuo em quase três anos, Sales ressaltou que "é prematuro dizer que está se encerrado um ciclo de investimento".
Segundo ele, o resultado, assim como os demais dados de maio, teve forte influência do efeito calendário, já que maio teve um dia útil a menos que abril e esse fator não é eliminado no ajuste sazonal. A continuidade do crescimento dos investimentos, segundo ele, pode ser confirmada nos dados comparativos a iguais períodos do ano passado, já que houve aumento na produção de bens de capital em maio ante maio de 2007 (5,8%), no acumulado de janeiro a maio (16,3%) e em 12 meses (19,2%).
Ante maio de 2007, os dados foram positivos. Além de bens de capital, cresceu a produção de bens de consumo intermediários (2,3%) e bens de consumo duráveis (6%). Houve pequena queda nessa base de comparação em bens de consumo não duráveis (-0,1%).
Segundo os técnicos do IBGE, "em síntese, os índices de maio revelaram um movimento de suave redução do ritmo de atividade industrial na margem, que levou à estabilidade do índice de média móvel trimestral", afirmaram, em documento.
Automóveis
A produção de automóveis, que puxou para baixo o resultado da indústria em maio ante abril, representou a principal influência de crescimento na comparação com maio do ano passado, período em que cresceu 6,5%. Os automóveis, junto com os eletrodomésticos de linha branca, estão impulsionando os resultados de duráveis.
No acumulado de janeiro a maio, a produção de veículos automotores aumentou 18,2% ante igual período do ano passado e representou o maior impacto de alta nos resultados acumulados da indústria. O segundo maior impacto de alta no resultado acumulado foi dado pela produção de máquinas e equipamentos, que aumentou 10,4% no período.
A produção de bens de capital e de bens de consumo duráveis, alavancada especialmente pelo mercado interno, continua puxando os resultados da indústria em 2008, segundo Sales. De janeiro a maio, ante igual período do ano passado, a produção de bens de capital aumentou 16,3% e a de duráveis, 13,7%.
Selic
O coordenador de indústria do IBGE disse que não há nenhuma evidência de que a elevação da taxa Selic tenha tido alguma influência nos resultados da produção industrial de maio. Segundo ele, os dados das sondagens industriais não têm revelado pessimismo dos empresários, o que poderia mostrar alguma influência dos juros na produção do setor. "Considerando as informações de sondagens já divulgadas, as expectativas dos empresários ainda são positivas", disse.
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Produção industrial,
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