quarta-feira, 23 de julho de 2008, 20:58 | Online

Alta dos juros deve impactar dívida líquida em R$ 4,8 bi

Impacto ocorre diretamente na parcela de endividamento atrelada à taxa básica de juros do País

Fabio Graner, da Agência Estado

BRASÍLIA - A alta de 0,75 ponto porcentual na taxa básica de juros deve impactar a dívida líquida do setor público em cerca de R$ 4,8 bilhões, se permanecer por 12 meses. O impacto ocorre diretamente na parcela da dívida que é atrelada à Taxa Selic. Dados do Banco Central mostram que, em maio, essa parcela era de R$ 645,4 bilhões.

 

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Nos cálculos do BC, a cada 1 ponto porcentual de alta na taxa básica, a dívida líquida total sobe o equivalente a 0,26 ponto porcentual em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Dessa forma, a alta de 0,75 deve elevar em 0,19 ponto porcentual do PIB a dívida líquida que, em maio, estava em 40,8% do PIB.

 

Considerando que o BC já havia promovido anteriormente duas elevações de 0,5 ponto cada na taxa básica, o impacto da política monetária na dívida líquida do setor público, se permanecer durante 12 meses, já supera os R$ 10 bilhões. O mercado esperava mais três altas de 0,5 ponto neste ano, o que deve ser revisto agora. Dessa forma, o ciclo de aperto na política monetária tende a ter um impacto sobre a dívida líquida superior a R$ 20 bilhões, sempre considerando que a taxa permanece mais alta por um período de 12 meses.

 

Levando-se em conta apenas a dívida interna em títulos do governo federal, o efeito da política monetária é um pouco menor. Considerando os R$ 439,06 bilhões de papéis atrelados à Selic existentes em maio, cada 0,75 ponto de elevação nos juros básico, ao longo de 12 meses, tem um impacto da ordem de R$ 3,3 bilhões no estoque da dívida. Ou seja, o aperto de 1,75 ponto porcentual já promovido pelo BC neste ano deve aumentar em cerca de R$ 7,5 bilhões a dívida interna.

 

É importante destacar que a existência de títulos vinculados à taxa básica de juros é uma anomalia da economia brasileira, herança dos anos de instabilidade econômica. Se esse grupo de papéis, que representava em maio 35,4% da dívida interna, não existisse, a política monetária teria maior potência.

 

Isso porque, a subida nos juros provocaria uma perda de renda para os detentores de títulos públicos prefixados (com juros fixo e definidos no leilão de venda dos papéis) e tenderia a diminuir o consumo dos mais ricos. Hoje, ao contrário, o aperto monetário provoca um "efeito riqueza", ou seja, grande parte dos investidores ganha quando a Selic começa a subir.

 

Mas esse problema já foi bem maior, pois em passado não tão distante (2003) os títulos atrelados à Selic representavam mais de 60% da dívida interna.


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