sexta-feira, 5 de setembro de 2008, 17:49 | Online

Bovespa vira e sobe 1,03%, a primeira alta do mês

Recuperação dos mercados norte-americanos favorecem a Bolsa de São Paulo e investidores vão às compras

Claudia Violante, da Agência Estado

SÃO PAULO - Apesar do péssimo relatório do mercado de trabalho norte-americano, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) conseguiu se esquivar de uma semana inteira de perdas: após quatro quedas, o principal índice à vista finalmente inaugurou o sinal positivo em setembro ao fechar com alta de 1,03%, aos 51.939,6 pontos, máxima pontuação do dia. A recuperação das bolsas norte-americanas na reta final da sessão foi preponderante para levar os investidores a também se animarem a ir às compras no Brasil.

 

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A primeira alta do mês, no entanto, foi pequena e fez apenas cócegas nas perdas acumuladas em setembro, que totalizam 6,72% (mesmo porcentual da semana, já que o período é coincidente). No ano, o Ibovespa já caiu 18,7%. Na mínima, o índice atingiu 50.092 pontos (-2,56%). O giro somou R$ 4,896 bilhões (preliminar).

 

O quadro do fechamento nem de longe mostra o que foi o dia: a sessão teve volatilidade intensa, principalmente no período da tarde. A recuperação dos papéis do setor financeiro norte-americano permitiu conter a sangria nas ordens de vendas, garantindo uma pequena recuperação aos índices. O Dow Jones subiu 0,29%, aos 11.221,0 pontos, o S&P teve ganho de 0,44%, aos 1.242,31 pontos, mas o Nasdaq teve baixa, de 0,14%, aos 2.255,88 pontos. As commodities recuaram: o contrato do petróleo para outubro teve baixa de 1,54%, para US$ 106,23.

 

A recuperação em Nova York foi possível porque as perdas acumuladas estavam bastante elevadas e os investidores, na quinta-feira, já haviam se preparado para o pior no que se refere ao relatório do mercado de trabalho norte-americano. O payroll, como é chamado, confirmou os cenários mais pessimistas ao registrar corte de 84 mil vagas, ante -75 mil previsto, e a maior taxa de desemprego em cinco anos. E os índices acionários repercutiram isso na maior parte da sessão. As bolsas da Europa fecharam antes da recuperação em Nova York e ilustram o mau momento do dia: o índice FTSE-100 da bolsa de Londres terminou em -2,26%; o índice Dax 30 da Bolsa de Frankfurt, em -2,42%, e na França, o índice CAC 40, -2,49%.

 

A recuperação desta sexta não esgota, entretanto, o cenário ruim que os dados ruins norte-americanos e também europeus vêm mostrando. Os analistas se repetiram em afirmar hoje que as condições se deterioraram e a preocupação do Federal Reserve, agora, não seria alterar a taxa de juros, mas melhorar as condições do crédito e fazer a economia andar. Assim, para a próxima semana, a volatilidade segue, até que novos indícios sinalizem qual será o passo seguinte.

 

Entenda o índice Ibovespa

 

Para facilitar a compreensão do investidor sobre o comportamento do mercado acionário, as bolsas de valores são representadas por índices, que reúnem um grupo de ações e indicam se aqueles papéis subiram ou caíram, em média. Esses índices são determinados em pontos, e a mudança na pontuação serve para calcular a variação média da bolsa naquele dia. Por isso, sempre que o investidor ler notícias do mercado acionário, encontrará a informação sobre quanto a bolsa variou e para qual pontuação.

 

A metodologia de cálculo do índice varia para cada bolsa, assim como a composição. O Ibovespa é o melhor indicador do desempenho médio das ações no mercado brasileiro, pois reúne os papéis que representam mais de 80% do volume negociado na bolsa. A pontuação do índice representa o valor atual, em moeda corrente, dessa carteira de ações.

 

A pontuação considera a variação do preço das ações e o impacto da distribuição de proventos, que costumam ser descontados do valor do papel. Esses proventos podem ser dividendos, quando a empresa distribui parte do lucro aos acionistas, ou bonificações, quando a empresa distribui o resultado por meio da emissão de ações, que são entregues gratuitamente aos acionistas, de forma proporcional. Para facilitar a divulgação do índice, ao longo dos anos a pontuação foi dividida por 10, sem interferir no cálculo.

 

A Bolsa de Valores de São Paulo é responsável por calcular o Ibovespa em tempo real, tomando como base o preço dos negócios efetuados no mercado à vista com as ações da carteira. Essa carteira teórica, ou o grupo de ações que compõe o Ibovespa, é divulgada a cada quatro meses. Cada ação que compõe o Ibovespa tem um peso diferente, que está relacionado ao quanto essa ação tem representatividade na negociação do mercado. O Ibovespa é a soma dos pesos de todas as ações que o integram.

 

Com a carteira formada, o índice de cada ação é ajustado para se obter a participação de cada papel, tendo como base 100 pontos. Por exemplo, uma ação tem peso de 32,08, outra de 25,14 e assim por diante, até chegar à soma de 100 pontos. Feito isso, cada uma dessas participações é multiplicada pela pontuação do Ibovespa no dia anterior, por exemplo, 10.000 pontos, e cada nova participação é dividida pela cotação de cada papel no fechamento do pregão anterior.

 

Com isso, a Bovespa obtém a quantidade teórica de cada papel. A partir daquele dia, para saber a variação do índice Ibovespa, essa quantidade teórica é multiplicada pela cotação da ação e as pontuações são somadas, por exemplo, chegando a 10.052 pontos. Com isso, o Ibovespa subiu 0,52%, mesmo que algumas ações da carteira tenham caído ou subido mais.


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