sexta-feira, 12 de setembro de 2008, 17:59 | Online

País construirá uma usina nuclear por ano, diz Lobão

Segundo ministro, pacote começa a sair do papel com a conclusão da contração de quatro novas usinas

Kelly Lima, da Agência Estado

ANGRA DOS REIS - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta sexta-feira, 12, que o Brasil vai construir uma usina nuclear por ano ao longo dos próximos 50 anos. No total, elas irão produzir 60 mil megawatts (MW). Cada uma delas será um pouco menor do que Angra 3, que está projetada para ter capacidade de 1,4 mil MW. Segundo o ministro, esse pacote começará a sair do papel assim que o governo concluir a contratação das obras de quatro novas usinas nucleares, que já foram aprovadas em âmbito federal para serem construídas "imediatamente".

 

"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entende que a política nuclear é prioritária no Brasil e sua decisão é de que o processo para a instalação destas usinas deve prosseguir", disse o ministro em entrevista após visitar as usinas de Angra 1 e 2, em Angra dos Reis (RJ). De acordo com Lobão, o governo atualmente "está cuidando de Angra 3".

 

Terminado este processo, disse, o governo vai definir as áreas em que serão instaladas as quatro primeiras usinas do grande pacote nuclear, que terão capacidade de 1,4 mil MW. Duas delas serão construídas no Nordeste e duas no Sudeste. Segundo ele, na Região Nordeste, disputam os investimentos os Estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Já no Sudeste, segundo ele, não houve manifestação de interesse. "Mas não acreditamos que haverá problema algum nisso", disse.

 

Sobre as 50 usinas, o ministro disse que ainda faltam ajustes a serem feitos no pacote e que ele será discutido após o governo dar seqüência a estas primeiras quatro unidades.

 

Questões ambientais

 

Edison Lobão também disse que as obras para a construção de Angra 3 devem ser iniciadas em abril de 2009. Por enquanto, segundo ele, está sendo viabilizada a instalação do canteiro de obras para abrigar os cerca de 9.500 trabalhadores que participarão da construção.

 

Ele negou que haja qualquer risco de atraso no cronograma de cinco anos para conclusão da usina, por conta de questões ambientais. Segundo Lobão a lista de 60 exigências feita pelo Ibama para que a licença de instalação fosse concedida está sendo cumprida "corretamente, a contento e dentro de um escalonamento". "O que não puder ser feito agora, de imediato, será feito ao longo do processo de obtenção desta licença. Mas tudo será devidamente cumprido", disse em entrevista à imprensa após visita às instalações das usinas nucleares de Angra 1 e 2.

 

Indagado sobre a dificuldade em encontrar um local definitivo para o depósito dos resíduos nucleares, o ministro disse apenas que "a ferro e fogo um lugar definitivo não existe em lugar nenhum do mundo".


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