terça-feira, 16 de setembro de 2008, 12:58 | Online

'Que crise? Vai perguntar para o Bush', diz Lula

Presidente minimiza turbulência nos mercados e diz que até agora não houve reflexos no Brasil

Denise Chrispim Marin e Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstrou tranqüilidade nesta terça-feira, 16, ao ser questionado sobre a crise na economia americana. Após receber o primeiro-ministro da Noruega, Jens Stoltenberg, ele foi indagado por repórteres sobre o assunto, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, e minimizou sorrindo: "Que crise? Vai perguntar para o Bush".

 

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Diante da insistência de repórteres que perguntaram se havia reflexos da crise sobre a economia brasileira, ele respondeu: "até agora, não".

 

Ele afirmou que a situação atual da economia brasileira permite ao governo "ficar tranqüilo, porém atento" em relação à crise financeira desencadeada nos Estados Unidos. Segundo ele, a atitude do governo terá de ser similar a de um médico que realiza uma cirurgia e obrigatoriamente tem de acompanhar a recuperação de seu paciente.

 

Para o presidente, se houver recessão nos Estados Unidos, o impacto na economia brasileira será "muito menor, quase imperceptível", se comparado com os efeitos das crises internacionais dos anos 90. Segundo ele, o mercado interno é o fator que alavanca o crescimento da economia brasileira. "É a nossa grande tábua de salvação", afirmou, em entrevista, ao chegar ao Palácio do Itamaraty.

 

Lula ressaltou, também, que o Brasil conta com um "colchão importante", que são os US$ 205 bilhões das reservas internacionais. Além disso enumerou o fato de as exportações brasileiras terem se diversificado e de não serem tão dependentes, como há 20 anos, do mercado americano.

 

Lula insistiu que qualquer pergunta sobre crise financeira americana deveria ser endereçada ao presidente dos Estados Unidos, George W.Bush e acentuou que nenhum chefe de estado com que tem conversado nos últimos dias tem "visão geral do que vai acontecer". "Cada dia há uma surpresa. Isso mostra que o cassino imobiliário era muito maior do que se poderia imaginar", afirmou.


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