quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 11:31 | Online

Veja os principais pontos da Pnad de 2007

Apesar da continuidade do avanço do emprego e da renda, persistem sérios problemas no País

Da Redação

SÃO PAULO - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta quinta-feira, 18, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2007. A Pnad mostra que, apesar da continuidade do forte avanço do emprego e da renda e da redução das históricas desigualdades no País, persistem sérios problemas no País.

 

A recuperação dos rendimentos, por exemplo, ainda não foi suficiente para levá-los ao nível de 1997. O trabalho infantil caiu, mas em ritmo mais lento que nos anos 90. O analfabetismo também continuou sua lenta queda, mas o Brasil ainda permanece entre os últimos colocados na América do Sul, com proporção de analfabetos maior que Argentina, Chile e Bolívia.Veja abaixo os principais pontos da pesquisa:

 

MERCADO DE TRABALHO E RENDA

 

 

O mercado de trabalho continuou registrando avanços no País em 2007 mas, em muitos indicadores, não conseguiu alcançar ainda os resultados da década de 90. A taxa de desemprego apurada em nível nacional relativa ao ano passado mostra que, em 2007, a taxa de desemprego foi de 8,2%, ante 8,4% em 2006. Embora a taxa de desemprego do ano passado seja a menor desde 1997 (7,8%), ainda é superior a todas as taxas apuradas pelo IBGE de 1992 a 1997.

 

Situação similar foi registrada no rendimento médio real dos trabalhadores. Apesar dos ganhos ocorridos entre 2004 (R$ 831) e 2007 (R$ 960), a renda média mensal real dos ocupados não retornou ainda ao patamar de 1997 (R$ 1.011,00).

 

A desigualdade no País continuou diminuindo em 2007. O indicador que mede a concentração de renda de um ano para o outro apresentou a maior queda apurada desde 1990. Segundo a Pnad, o índice de Gini da distribuição de renda do trabalho passou de 0,541 em 2006 para 0,528 em 2007. Esse índice varia de 0 a 1 e indica maior desigualdade à medida que aumenta.

 

MAIS DA METADE DA POPULAÇÃO TEM ESGOTO

 

 

O porcentual de domicílios com acesso a rede coletora de esgoto no País chegou a 51,3% no ano passado, chegando pela primeira vez na história a mais da metade dos domicílios brasileiros, segundo mostra a Pnad 2007. Em 2006, o porcentual de domicílios com acesso a esse serviço não ultrapassava 48,5% e, em 1992, não chegava a 39%.

 

Ainda segundo a pesquisa, o fornecimento de energia elétrica é o serviço público pesquisado no qual o acesso tem se apresentado como "o mais difundido" nos últimos 15 anos. Em 2007, houve aumento de 3,7% no número de domicílios que puderam contar com iluminação elétrica, subindo para 98,5% o porcentual de domicílios no País com acesso a esse serviço. Em 1992, o porcentual era de 88,8% para esse serviço.

 

PREVIDÊNCIA

 

 

A cobertura previdenciária voltou a crescer no Brasil em 2007 e, pela primeira vez na história do País, o porcentual de contribuintes para a Previdência Social é maior que 50% da força de trabalho. A pesquisa revela que, em 2007, 46,1 milhões de trabalhadores no Brasil contribuíam para instituto de previdência em qualquer um dos trabalhos que tinha, com aumento de 5,7% em relação a 2006.

 

Enquanto em 2006 o porcentual de trabalhadores que contribuíam para a Previdência era de 48,8%, em 2007 chegou a 50,7%. A expansão ocorreu em todas as regiões do País. Entre as atividades, a administração pública registrou o maior porcentual de contribuintes (85,8%) no total de ocupados, enquanto o menor porcentual estava nas atividades agrícolas (15,4%).

 

TELECOMUNICAÇÕES

 

 

A evolução no acesso à telefonia, especialmente celular, e à internet, representaram os principais avanços em bens de consumo domiciliares no País em 2007. O porcentual de domicílios com acesso à Internet passou de 8,6% em 2001 para 17,1% em 2006 e 20,4% em 2007, acompanhando um aumento forte no acesso a microcomputador: 12,6% em 2001, passando para 22,4% em 2006 e 27% em 2007.

 

No que diz respeito aos domicílios com algum tipo de telefone, houve um acréscimo de 2,7 milhões de 2006 para 2007. Assim, os domicílios com telefone passaram de 74,5% do total para 77%. O principal avanço, no que diz respeito à telefonia, ocorreu nos telefones celulares. O porcentual de domicílios que tinham apenas telefone celular alcançou 17,8 milhões de domicílios, ou 31,6% do total de domicílios. O número de domicílios com celular foi 2,8 milhões a mais do que no ano anterior, quando 27,7% tinham apenas telefone celular.

 

TRABALHO INFANTIL

 

 

O trabalho infantil voltou a cair no Brasil em 2007, mas permanece em patamar elevado. No ano passado, do total de 44,7 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos de idade, 4,8 milhões estavam trabalhando. A pesquisa mostra redução em relação a 2006, quando havia no País 5,1 milhões de trabalhadores nessa faixa etária. A proporção de crianças e adolescentes trabalhadores nessa faixa etária passou de 11,5% em 2006 para 10,8% em 2007.

 

Os dados da Pnad mostram que o rendimento é um fator determinante para o trabalho infantil no País. Enquanto o rendimento médio domiciliar per capita total no Brasil em 2007 foi estimado em R$ 653,00, as crianças e adolescentes ocupados de 5 a 17 anos de idade tinham origem em domicílios cujo rendimento médio domiciliar per capita estavam em torno de R$ 318,00.

 

ANALFABETISMO

 

 

A taxa de analfabetismo prosseguiu na trajetória de queda no País em 2007, mas o Brasil ainda está atrás de países como Bolívia e Paraguai nesse indicador. Em 2007, segundo a Pnad, havia 14,1 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais de idade no País, com taxa de analfabetismo de 10,0%, ante 10,4% em 2006. Em 1992, a taxa era de 17,2%. Apesar do novo recuo apurado na taxa no ano passado, o País continua muito aquém de outros países da América Latina.

 

Segundo dados de projeção da Unesco para taxas de analfabetismo na América Latina em 2007, reunidos pelo IBGE, a taxa brasileira é superior à apurada em países como Bolívia (9,7%), Suriname (9,6%), Paraguai (6,3%), Argentina (2,4%) e Chile (3,5%), entre outros. Com taxas maiores que o Brasil estão outros sete países latino-americanos, como Haiti (37,9%), Guatemala (26,8%), Nicarágua (19,5%) e República Dominicana (10,9%).


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