quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 23:59 | Online

‘Não gosto de celular, mas já troquei duas vezes’

A demanda também encareceu o valor cobrado dos clientes

Paulo Justus

SÃO PAULO - A paisagista Anna Lúcia Cáfaro, de 54 anos, não se considera consumista, mas admite que comprou mais nos últimos anos. "Eu, que não gosto de celular, nunca gostei, já troquei de aparelho duas vezes desde 2007", diz. Em janeiro, ela adquiriu uma nova máquina de lavar. Parcelou o valor, R$ 1.099, em quatro vezes. "Normalmente eu compro à vista, mas como me fizeram o valor sem juros, decidi comprar. Hoje há mais facilidade, principalmente para os eletrodomésticos."

 

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O que suporta os gastos é o aumento da renda. "No fim de 2007 pude notar um crescimento de 10% em minha renda. Mas o maior impacto veio nesse ano, quando aumentou 30%", diz. Ela diz que já não consegue dar conta dos clientes para os quais presta serviço de manutenção mensal de jardinagem. A procura cresceu 50%, segundo ela. "Em alguns casos passei a visitar os clientes a cada dois meses, em vez de visitar mensalmente."

 

A demanda também encareceu o valor cobrado dos clientes. "Foram eles mesmos que subiram o preço, porque queriam garantir o serviço de manutenção." A mensalidade de manutenção do jardim, de R$ 300 em 2007, subiu para R$ 400 este ano.

 

Hoje, a renda de Anna Lúcia varia entre R$ 5 mil e R$ 6 mil. Mais do que o suficiente para pagar as despesas do apartamento em que mora com o filho Nicholas Zugaib, de 18 anos. Ele tem as despesas da escola particular pagas pelo pai, separado de Anna Lúcia. "O excedente eu aplico na poupança, porque não tenho a capacidade para fazer outros investimentos, sou tranqüilona."


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