quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 23:59 | Online
Desigualdade supera a do Zimbábue
Disparidade tem maior recuo desde 90, mas índice ainda é o pior entre os Brics e comparável ao de países pobres
Jacqueline Farid
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Apesar disso, o Brasil continua tendo índice muito pior que o dos outros Brics, sigla que aglutina países de maior potencial entre os emergentes. O grupo inclui China (Gini de 0,470), Rússia (0,399) e Índia (0,368).
O índice brasileiro está mais próximo do de países pobres, como El Salvador (0,524) e Panamá (0,561), ou dos africanos, como Zâmbia (0,508), África do Sul (0,578), Suazilândia (0,504) e Zimbábue (0,501). "O Brasil não é um país pobre; é rico e se aproxima de países desenvolvidos em alguns indicadores. Mas a distribuição de renda é como a de países que nem sabemos direito onde estão no mapa", disse o presidente do IBGE, Eduardo Nunes.
Segundo ele, a melhora dos indicadores sociais no País está sendo mais lenta por causa da evolução da distribuição de renda. "De 2006 para 2007 já houve uma redução mais acelerada na desigualdade. Se for mantida essa velocidade, nos próximos anos os indicadores vão avançar mais rapidamente."
O Gini de todos os rendimentos (o que inclui programas de transferência de renda, aplicações financeiras, renda de aluguel e aposentadorias) também vem registrando quedas sucessivas desde 2004. Passou de 0,547, em 2006, para 0,534.
COMPARAÇÃO
A coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Márcia Quintlsr, ressalta que a distância entre os rendimentos das camadas de maior e menor renda da população mostra quanto a concentração, mesmo em queda, permanece elevada.
No que diz respeito ao rendimento do trabalho, no ano passado os 10% da população ocupada de mais baixos rendimentos concentraram 1,1% do total da remuneração no País. Enquanto isso, os vencimentos dos 10% com maiores rendimentos corresponderam a 42% do total. A fatia das menores remunerações ficou praticamente inalterada em relação a 2006, quando era de 1%.
A desigualdade no País atingiu o ápice em 1989, quando o índice de Gini da renda do trabalho chegou a 0,630 e o Gini de todos os rendimentos atingiu 0,647. Ambos começaram a recuar em 1993, ano em que o Gini do trabalho foi de 0,600 e o relativo a todos os rendimentos ficou em 0,603.
O economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, acredita que a redução da desigualdade está ligada aos ganhos de remuneração pela população com renda mais baixa. Ele diz que o índice de Gini sempre foi elevado no Brasil, especialmente em relação a países desenvolvidos, onde gira em torno de 0,40 ou 0,50. "Estamos ficando menos desiguais, ainda que longe do ideal."
No entender de Vale, a lentidão na queda do Gini é "natural", já que um recuo mais forte só ocorre em momentos de mudança estrutural, como no início do Plano Real. Não houve Pnad em 1994, mas foi registrada queda significativa no índice de renda do trabalho entre 1993 (0,600) e 1995 (0,585). "O mais importante é que a trajetória de queda permaneça."
Para o economista Fábio Romão, da LCA Consultores, os dados "confirmam a impressão de melhoria" na concentração de renda, mas reafirmam que "a desigualdade ainda é grande". Ele lembra que no Japão o índice gira em torno de 0,250.
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