quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 23:59 | Online
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Wilson Tosta
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Para o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eduardo Nunes, ainda é cedo para dizer se houve mais que um fenômeno estatístico. Mas a pesquisadora Maria Celina D’Araújo, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma estudiosa do sindicalismo, não o recebeu com surpresa. "Em períodos de crescimento econômico, as taxas de sindicalização geralmente caem", explicou ."Chegamos a ter 25% de sindicalização no fim dos anos 70 e início dos 80, que foram momentos de muita dificuldade no País." Segundo a pesquisadora, porém, a redução na proporção de sindicalizados no governo Lula não significa diminuição do poder sindical. Ao contrário, o sindicalismo se fortaleceu, embora de outra maneira.
Mesmo com a redução do ano passado, a taxa de sindicalização em 2007 ainda foi maior do que nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, quando não chegou a 17%. Na série histórica do IBGE, a menor taxa de sindicalização desde 1992 foi registrada em 1998 (15,9%), e a maior, em 2002 (16,8%), ambas no governo FHC. A partir de então, nos quatro anos seguintes, no governo Lula, a trajetória foi de crescimento: 2003 (17,7%), 2004 (18%), 2005 (18,3%) e 2006 (18,6%). A queda de 2007, para 17,6%, foi a primeira do atual governo.
A pesquisadora ressalva que, embora as taxas de sindicalização no Brasil estejam em queda, no governo Lula o sindicalismo se fortaleceu, por meio da legalização das centrais sindicais, reconhecidas na Lei 11.648/2008 - um poder, para ela, "realmente inédito".
"Elas têm muita legitimidade, passaram a ser reconhecidas, a receber recursos do imposto sindical, a ter poder de criar sindicatos e são os principais interlocutores", disse Maria Celina. "O poder se transferiu da base para a cúpula. A representação sindical está mais forte não pelo número, mas pela forma de organização."