quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 23:59 | Online
‘É preciso ação de Estado, mais do que de governos’
Segundo coordenador de movimento da sociedade civil, é necessário ‘fechar torneiras’ da educação, como analfabetismo
Simone Iwasso
Por que, mesmo com todos os programas e investimentos, nossos avanços ainda são pequenos?
Para acelerar esse processo será preciso estabelecer uma ação de Estado, mais do que apenas de governo, e focada nas regiões mais carentes do País. Entretanto, lembro que é importante ‘fechar a torneira’ do analfabetismo, de forma que todas as crianças brasileiras estejam lendo e escrevendo plenamente pelo menos até os 8 anos de idade.
Temos uma perspectiva de melhoria no futuro, por causa do aumento do número de estudantes do ensino superior?
É gratificante verificar esse aumento, mas ainda é tímido, não só quando comparamos com os países da União Européia, mas também com os vizinhos Chile e Argentina, que estão num nível superior a 30%. Há ainda uma estrada longa a ser percorrida. O ProUni é uma excelente iniciativa, mas de baixa escala, considerando a demanda existente. O Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), recentemente lançado pelo MEC, é outra importante iniciativa com o Sistema Federal de Ensino Superior, vai dobrar o número de vagas, passando para algo em torno de 226 mil.
Qual continua sendo o maior desafio para termos educação de qualidade para todos?
Ter professores em quantidade e qualidade, o que significa a sua valorização. Com os salários atuais será difícil atrair jovens talentosos para a carreira do magistério. Estudos do Conselho Nacional de Educação revelam que apenas 9% dos professores que ensinam Física no Brasil tiveram formação inicial em Física; em Química, esse porcentual não é muito diferente, apenas 13%. Hoje há um déficit de cerca de 250 mil professores, especialmente de Química, Física, Matemática e Biologia. Por isso é fundamental destravar esse embate relativo ao Piso Nacional dos Profissionais da Educação Básica. E o MEC tem papel-chave nesse processo. A valorização do professor, da carreira do magistério, passa por três eixos: o salarial, a formação inicial e continuada, e as condições de trabalho. Se resolvermos isso, começaremos a vencer o desafio da educação de qualidade para todos.
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