quinta-feira, 18 de setembro de 2008, 23:57 | Online

Leonardo, 12 anos, trabalha e sonha com o futuro

Leonardo diz que só vem para a rua depois da aula, durante o período da manhã. Enquanto isso, pai e tio do menino se revezam no cruzamento

Ana Paula Lacerda

SÃO PAULO - Descalço em uma temperatura de 13ºC, Leonardo circula entre os carros em um semáforo na Avenida do Estado, em São Paulo. Aos 12 anos, já enfrentou policiais e ladrões. Como 4,8 milhões de crianças brasileiras, Leonardo trabalha: ele vende chicletes e paçocas para ajudar os pais. Consegue juntar de R$ 50 a R$ 80 por dia. O preço é fugir do "rapa" e estar disposto a encarar os ladrões que atuam na região. "Se vêm roubar nesse semáforo, eu dou um chega pra lá. Às vezes, até chamo a polícia. Eu espanto ladrão porque eles espantam cliente. Se aqui ficar perigoso, eu perco a clientela." Nem toda polícia o ajuda, no entanto. "Xingam, empurram e até já encostaram a arma na minha cabeça."

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"E aí pegam minha mercadoria e me mandam estudar, mas eu já estudo." Leonardo diz que só vem para a rua depois da aula, durante o período da manhã. Enquanto isso, pai e tio do menino se revezam no cruzamento. "Minha mãe faz questão que eu vá à escola, só uma vez eu faltei pra ajudar porque ela tava com muita conta pra pagar." A matéria preferida é matemática. "Sei fazer conta e cuidar de dinheiro. Se um dia puder, quero trabalhar numa firma de contabilidade."


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