_Agrícola
sexta-feira, 19 de setembro de 2008, 20:30 | Online
Professor da Unesp desvenda formigueiro
Com cimento injetado nas galerias de um sauveiro, Luiz Forti conseguiu mostrar a arquitetura das formigas
Fernanda Yoneya - O Estado de S.Paulo
SÃO PAULO - No ano passado, após três anos de trabalho, o professor Luiz Carlos Forti, da Faculdade de Ciências Agronômicas da Unesp de Botucatu (SP), concluiu uma obra importante para entender a arquitetura e o funcionamento de uma colônia de formigas cortadeiras, uma das principais pragas agrícolas.
Forti, que se dedica há 34 anos ao estudo de formigas, preencheu ninhos de saúvas e quenquéns com cimento e, depois, escavou cuidadosamente o local. Escavada a área, o cimento que percorreu as galerias antes de endurecer revelou toda a arquitetura subterrânea do sauveiro, com túneis interligando diferentes partes dos ninhos e com várias câmaras construídas a até 8 metros de profundidade. "A construção ajuda a entender por que o controle de saúvas e quenquéns é tão difícil", diz.
Segundo Forti, as cortadeiras surgiram há 50 milhões de anos e uma colônia pode ter de 3,5 milhões a 7 milhões de indivíduos. O professor diz que o mais importante no controle de cortadeiras é entender que diferentes partes dos ninhos são interligadas e não isoladas.
Vários controles
Segundo Forti, o controle de cortadeiras pode ser físico, cultural, biológico ou químico. O controle físico ou mecânico, que consiste na destruição da colônia, por operações como gradagem ou aração, eliminando a rainha, é eficaz em colônias com menos de quatro meses de idade, quando a profundidade do ninho não passa de 25 centímetros. "Em colônias mais velhas, a rainha fica alojada a uma profundidade maior que 1,5 metro, tornando o método inviável", diz o professor.
O controle cultural, que utiliza plantas tóxicas ao formigueiro, também não tem resultados positivos comprovados. "Há evidências de que o fungo cultivado pelas cortadeiras tem capacidade de metabolizar substâncias tóxicas das plantas usadas no método cultural, o que dificulta a seleção de espécies resistentes à praga", afirma.
Gergelim, serragem fina misturada com óleo de gergelim e de mamona, cal virgem, manipueira (suco da mandioca prensada ou ralada), água fervente, menta, lavanda, manjerona, absinto, cravo-da-índia, alho, entre outras receitas caseiras, não funcionam para formigas cortadeiras. "Não há nenhuma comprovação de eficácia", diz.
Biológicos
O mesmo vale para o controle biológico, com aves, mamíferos, besouros e fungos, diz o professor. "Não existe tecnologia de controle disponível para o produtor rural e, no campo, os resultados de eficiência desse tipo de controle não são consistentes e conclusivos."
Para ele, o método mais viável em lavouras comerciais é o químico, feito com iscas tóxicas, que contêm inseticida, óleo comestível e farelo de polpa cítrica.
A polpa cítrica atrai as formigas, que levam a isca para a colônia. No transporte, ao lamberem os pellets tóxicos, as formigas vão se intoxicando por ingestão e, no ninho, de 50% a 70% das operárias são intoxicadas em 24 horas. "A contaminação é favorecida porque as formigas trocam secreções, alimentos e substâncias glandulares entre si. Fazem, ainda, a limpeza de seus corpos." As operárias, pequenas e médias, pela atividade que desempenham no cultivo do fungo, são as que se intoxicam mais rapidamente e de maneira mais intensa. "Com a morte das operárias, há uma desorganização no cultivo do fungo, o que leva o formigueiro à morte em poucos dias."A isca não mata o fungo, mata as formigas. "E, sem as formigas, a cultura do fungo acaba morrendo."
Segundo o professor, a isca não deve ser colocada no meio da trilha, ou carreiro. Deve ficar ao lado da trilha, perto do olheiro. Também não pode ser utilizada em dias com chuvas ou muito quentes ou frios e deve-se ter cuidado para que outros animais não sejam intoxicados. "A isca deve ser manuseada com luvas e é preciso usar máscara para pó", recomenda. "Como o ninho é interligado, uma dose única de isca é suficiente para eliminar toda a colônia", explica o professor.
Informações: Unesp, (0--14) 3811-7167
Forti, que se dedica há 34 anos ao estudo de formigas, preencheu ninhos de saúvas e quenquéns com cimento e, depois, escavou cuidadosamente o local. Escavada a área, o cimento que percorreu as galerias antes de endurecer revelou toda a arquitetura subterrânea do sauveiro, com túneis interligando diferentes partes dos ninhos e com várias câmaras construídas a até 8 metros de profundidade. "A construção ajuda a entender por que o controle de saúvas e quenquéns é tão difícil", diz.
Segundo Forti, as cortadeiras surgiram há 50 milhões de anos e uma colônia pode ter de 3,5 milhões a 7 milhões de indivíduos. O professor diz que o mais importante no controle de cortadeiras é entender que diferentes partes dos ninhos são interligadas e não isoladas.
Vários controles
Segundo Forti, o controle de cortadeiras pode ser físico, cultural, biológico ou químico. O controle físico ou mecânico, que consiste na destruição da colônia, por operações como gradagem ou aração, eliminando a rainha, é eficaz em colônias com menos de quatro meses de idade, quando a profundidade do ninho não passa de 25 centímetros. "Em colônias mais velhas, a rainha fica alojada a uma profundidade maior que 1,5 metro, tornando o método inviável", diz o professor.
O controle cultural, que utiliza plantas tóxicas ao formigueiro, também não tem resultados positivos comprovados. "Há evidências de que o fungo cultivado pelas cortadeiras tem capacidade de metabolizar substâncias tóxicas das plantas usadas no método cultural, o que dificulta a seleção de espécies resistentes à praga", afirma.
Gergelim, serragem fina misturada com óleo de gergelim e de mamona, cal virgem, manipueira (suco da mandioca prensada ou ralada), água fervente, menta, lavanda, manjerona, absinto, cravo-da-índia, alho, entre outras receitas caseiras, não funcionam para formigas cortadeiras. "Não há nenhuma comprovação de eficácia", diz.
Biológicos
O mesmo vale para o controle biológico, com aves, mamíferos, besouros e fungos, diz o professor. "Não existe tecnologia de controle disponível para o produtor rural e, no campo, os resultados de eficiência desse tipo de controle não são consistentes e conclusivos."
Para ele, o método mais viável em lavouras comerciais é o químico, feito com iscas tóxicas, que contêm inseticida, óleo comestível e farelo de polpa cítrica.
A polpa cítrica atrai as formigas, que levam a isca para a colônia. No transporte, ao lamberem os pellets tóxicos, as formigas vão se intoxicando por ingestão e, no ninho, de 50% a 70% das operárias são intoxicadas em 24 horas. "A contaminação é favorecida porque as formigas trocam secreções, alimentos e substâncias glandulares entre si. Fazem, ainda, a limpeza de seus corpos." As operárias, pequenas e médias, pela atividade que desempenham no cultivo do fungo, são as que se intoxicam mais rapidamente e de maneira mais intensa. "Com a morte das operárias, há uma desorganização no cultivo do fungo, o que leva o formigueiro à morte em poucos dias."A isca não mata o fungo, mata as formigas. "E, sem as formigas, a cultura do fungo acaba morrendo."
Segundo o professor, a isca não deve ser colocada no meio da trilha, ou carreiro. Deve ficar ao lado da trilha, perto do olheiro. Também não pode ser utilizada em dias com chuvas ou muito quentes ou frios e deve-se ter cuidado para que outros animais não sejam intoxicados. "A isca deve ser manuseada com luvas e é preciso usar máscara para pó", recomenda. "Como o ninho é interligado, uma dose única de isca é suficiente para eliminar toda a colônia", explica o professor.
Informações: Unesp, (0--14) 3811-7167