segunda-feira, 6 de outubro de 2008, 15:52 | Online
Governo vai disponibilizar reservas para bancos, diz Mantega
Mantega avaliou que o mercado vive hoje um quadro de irracionalidade e comportamento de manada
Leonencio Nossa, da Agência Estado
A idéia já vinha sendo estudada pelo governo. Ainda hoje, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, havia antecipado que o governo adotaria medidas para atacar o problema de liquidez (volume de negócios) que vem sendo registrado pelo setor, especialmente para ter acesso aos Adiantamentos de Contrato de Câmbio (ACCs) - principal ferramenta de financiamento para os exportadores.
Mantega avaliou que o mercado vive hoje um quadro de irracionalidade e comportamento de manada. Segundo ele, este é o pior momento da crise, mas ele avaliou que é impossível que este quadro agudo continue travando o sistema financeiro por muito tempo. Ele disse que a Europa terá que fazer o ajuste, e o plano econômico dos Estados Unidos ainda necessita de decisões a serem tomadas. "Nós sairemos desta crise aguda, mas a crise não terminará tão cedo", afirmou ele.
O ministro disse ainda que, depois que os governos tomarem as medidas, a situação vai melhorar, mas o quadro certamente será de taxas menores de crédito e juros mais elevado. Na sua avaliação, esse momento de hoje do mercado financeiro se deve ao fato de que o plano dos EUA ainda não foi plenamente implementado, faltando decisões que ainda serão tomadas. Esse quadro se deve ainda à piora da economia européia, com um banco alemão tendo dificuldades e a tentativa, sem sucesso, dos chefes de Estados dos países da Europa de fechar um programa. O ministro destacou também que os governos europeus estão se comprometendo a dar cobertura total dos depósitos para evitar corrida bancária.
Mantega destacou que o grande problema hoje na economia mundial é a perda de confiança nas instituições financeiras. "Isso se refletiu aqui também no Brasil". Ele disse que a bolsa caiu e o dólar subiu, mas que esta é uma situação passageira. "Estamos no momento mais agudo", lembrando que a crise já dura mais de um ano e que agora, a partir de setembro, as perdas e os prejuízos dos bancos apareceram.
Crise financeira em pauta
A crise financeira mundial continua na pauta das reuniões do governo nesta segunda. Após as 17 horas, na reunião do Conselho Político, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, estarão presentes para tratar do assunto.
Os dois farão uma explanação sobre a crise e seus impactos na economia brasileira. Também discutirão medidas que o governo tomará para se resguardar das turbulências e os projetos prioritários na agenda de votação do Congresso.
Em entrevista no final de semana, em São Bernardo, onde votou, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva citou como uma das medidas a reforma tributária, que está em tramitação na Câmara. Lula também mencionou a política de salário mínimo que prevê reajuste com base na inflação e crescimento do PIB.
Integram o Conselho político os líderes e dirigentes dos 11 partidos políticos, que formam a coalizão de governo, se reúnem a partir das 15 horas.
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