quarta-feira, 5 de novembro de 2008, 10:29 | Online
Crise afetará produção da indústria em 2009, diz economista
Para professor da FEA, dados positivos de setembro não afastam o temor de uma desaceleração no próximo ano
Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br
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Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na terça-feira, a produção industrial acumula alta de 6,5% no ano e de 6,8% nos últimos 12 meses, até setembro. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a atividade cresceu 9,8%. Garcia classificou os dados como "espetaculares" e destacou o bom desempenho do setor de bens de capital (máquinas utilizadas para produzir outros bens), que sinaliza investimentos na capacidade produtiva. A categoria acumula crescimento de 18,9% no ano e de 20,1% em 12 meses.
As informações da Confederação Nacional da Indústria (CNI) também mostram que o setor ainda não sofre os efeitos da crise. As vendas reais cresceram 2% em setembro, na comparação dessazonalizada com agosto. Já ante o mesmo mês do ano passado, o faturamento real do parque fabril evoluiu 10,2%. Nesse caso, Garcia ressalta o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) da indústria, que atingiu o patamar de 83,3%. "Esse nível é muito elevado, está mostrando que estamos crescendo a plena capacidade, como há muitos anos não se via."
Mudança de cenário
A partir de outubro, porém, o economista prevê uma mudança no cenário, com dados de produção e vendas gradualmente mais fracos. "Os indicadores industriais vão continuar sendo favoráveis, mas já vamos sentir uma desaceleração. Por exemplo, o acumulado dos 12 meses, de 6,8%, talvez caia para 6,5% em outubro. E no mês seguinte talvez seja 6,3%." Ele explica, no entanto, que a produção terá o seu ciclo normal de redução com a proximidade do natal, uma vez que as empresas já estarão prontas para desovar as mercadorias e não mais produzir.
Garcia estima que a crise na produção chegue ao Brasil em fevereiro ou março de 2009. "Isso ocorre pela própria inércia, depois que passar o natal e as férias de janeiro. Quando a crise chegar com mais força, os empresários vão começar a fazer o seu planejamento estratégico para os próximos meses. Com isso, o Brasil vai se ajustar aos poucos ao longo do primeiro semestre." O crescimento do País no próximo ano, segundo ele, deve ficar entre 3,5% e 4%.
Para o economista, seria desejável que o governo já começasse a reduzir os gastos e, assim, ajudasse a conter a alta dos preços. "A inflação este batendo no limite da meta e isso vai implicar numa queda do poder aquisitivo dos brasileiros, que vão comprar menos. Ela (a inflação) será uma vilã nessa história, principalmente no primeiro semestre do ano que vem."
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