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quinta-feira, 6 de novembro de 2008, 11:16 | Online

BNDES e BB liberarão mais R$ 15 bi em crédito para empresas

Durante reunião do Conselho Econômico, Mantega diz ainda que governo irá postergar o pagamento de tributos

Renata Veríssimo, da Agência Estado

SÃO PAULO - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou mais um conjunto de medidas para garantir liquidez no mercado e capital de giro para as empresas. Durante a reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Mantega anunciou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES) receberá mais R$ 10 bilhões para capital de giro para as médias e pequenas empresas, para as linhas de pré-embarque e empréstimos-ponte. O ministro anunciou também que o Banco do Brasil liberará mais R$ 5 bilhões para capital de giro de pequenas e médias empresas.

 

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Segundo o ministro, não é nenhuma bondade do governo. Todas as operações serão em condições de mercado. Mantega disse que os recursos virão, em parte, em títulos do Tesouro que o BNDES poderá vender ou em operações de CDI realizadas pelo próprio BNDES. De acordo com o ministro, a instituição poderá colocar esses recursos nas mãos de grupos e o governo irá orientar a utilização dos recursos do depósito compulsório para essas operações.

 

Além disso, o governo está postergando em 10 dias a data de pagamento de alguns tributos federais. O recolhimento do IPI e PIS e Cofins passará do dia 15 para o dia 25 e o do Imposto de Renda Retido na Fonte e da Contribuição Previdenciária, do dia 10 para o dia 20. "Não vamos fazer nada de muito grande para não comprometermos o superávit primário", justificou Mantega. Mas, segundo ele, a concessão de 10 dias a mais de capital de giro já será um alívio para as empresas.

 

O ministro anunciou ainda que o governo vai acelerar a devolução de crédito tributário. Segundo ele, será feito um mutirão para devolver os recursos para vários setores. "Será um bom capital de giro para as empresas", disse.

 

Mantega comentou ainda a liberação de R$ 4 bilhões pelo Banco do Brasil, que serão emprestados para os bancos de montadoras. Segundo ele, esses recursos serão suficientes para manter as vendas de automóveis em novembro e dezembro. De acordo com o ministro, o objetivo do governo é impedir que o crescimento da economia seja interrompido e haja desemprego e férias coletivas num setor importante que é movido a crédito.

 

Medidas emergenciais

 

O ministro destacou, porém, que todas medidas anunciadas são emergenciais. "Depois disso, devemos fazer uma política anticíclica", disse. Segundo ele, será preciso, dentro da política monetária, reduzir o custo financeiro das empresas. Ele disse que o principal problema da crise financeira internacional, além da escassez de crédito, foi a elevação em 4 pontos porcentuais, do custo financeiro das empresas.

 

Mantega disse que também será preciso retomar a expansão do crédito. "Claro que não precisamos voltar a uma taxa de crescimento de 30% a 35% ao ano. Mas precisamos crescer de 15% a 20% ao ano, para continuar o crescimento econômico", afirmou. O ministro disse ainda que será preciso manter as políticas estabelecidas no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), além dos programas sociais e do esforço do governo, para conter os gastos com custeio.

 

Safra

 

Guido Mantega informou também que o governo irá garantir o preço mínimo na comercialização da próxima safra agrícola. Segundo ele, o governo vai comprar os produtos e fazer estoques ou irá pagar a diferença de preço paga pelo mercado e o preço mínimo fixado.

 

Segundo ele, essa medida dará conforto para o agricultor. Mantega disse que na quarta-feira, em reunião com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, foi feita uma avaliação de que o setor já tem os recursos necessários para plantar a safra 2008/2009. "A agricultura vai cumprir seu papel nessa safra", disse Mantega.

 

Desafios de Obama

 

"Talvez, possamos ver uma luz no fim do túnel. Só esperamos que não seja uma locomotiva vinda do outro lado", brincou o ministro. Para Mantega, a missão dos governos é restabelecer o crédito, regulamentar os mercados para evitar excessos e evitar uma forte desaceleração da economia global. "O novo presidente dos EUA, Barack Obama, tem quase o mesmo desafio do presidente (Franklin Delano) Roosevelt, que assumiu em 1933 e encontrou um país em depressão (financeira)".

 

Para Mantega, a vantagem de Obama em relação a Roosevelt é "a antecedência". Ele explicou que quando Obama assumir, a economia norte-americana ainda não estará em "depressão".

 

Bancos públicos

 

Mantega disse ainda que, neste momento de crise como o atual, é importante ter bancos públicos. Segundo ele, o Brasil está bem preparado para enfrentar a crise financeira. Mantega disse que o País tem uma economia dinâmica, uma taxa de crescimento elevada, tem reservas em real e dólares, além dos bancos públicos.

 

O ministro voltou a defender os depósitos compulsórios que, segundo ele, o que era considerado "um defeitinho" porque é muito alto no Brasil, passou neste momento de crise a ser uma vantagem para o país. Ele lembrou que o Banco Central já anunciou a liberação de até R$ 100 bilhões dos compulsórios para injetar recursos no sistema financeiro. Além disso, lembrou Mantega, as reservas internacionais estão sendo usadas para irrigar o mercado de dólar.

 

Mantega lembrou ainda que o governo remontou as linhas de ACC e ACE e explicou que elas demoraram para ser implementadas porque o governo teve que criar novos modelos que não existiam no Brasil. "Tivemos que seguir a lei brasileira que é bastante rigorosa na atuação do Banco Central", disse.


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