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quarta-feira, 19 de novembro de 2008, 08:11 | Online
Governo age por vaidade, diz associação de minoritários do BB
Com a Nossa Caixa, BB se aproximará do topo do ranking de bancos, posição perdida após a união Itaú-Unibanco
Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br
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De olho nos sintomas da crise econômica
O negócio deve ser concluído nesta quarta-feira, 19, durante encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador José Serra (SP) no Palácio do Planalto. Desde o anúncio da união do Itaú com o Unibanco, no início de novembro, o BB perdeu o posto de maior banco brasileiro. A compra da Nossa Caixa não devolverá o primeiro lugar ao BB, mas o deixará perto.
Na última terça-feira, numa cerimônia no Itamaraty, Lula não escondeu a expectativa de que o negócio irá fortalecer o BB. "O Banco do Brasil era o principal banco do País, mas, com a fusão do Unibanco com o Itaú, passou a ser o segundo", disse. "Agora, queremos que o Banco do Brasil seja muito maior que qualquer outro banco brasileiro", arrematou.
Com a aquisição do Nossa Caixa, Isa destaca que o BB passará a assumir o risco de R$ 8 bilhões concentrado apenas no setor automotivo. O governo federal - via Banco do Brasil - e o governo de São Paulo estão emprestando cada um R$ 4 bilhões para as financeiras das montadoras. "Sabemos que o BB pode ter uma grande participação na política econômica anticíclica do governo, mas é preciso ter cuidado, para não atuar no setor errado, sofrendo, no futuro, suas conseqüências negativas."
Segundo ela, todo cuidado é pouco, quando o BB assume o papel de "salvador" da indústria automobilística e "pai" do consumo no varejo, liberando recursos para as revendedoras de veículos e comprando carteiras de outros bancos.
O maior atrativo do negócio para o BB, segundo Isa, são os depósitos judiciais que o Nossa Caixa tem, avaliados em R$ 15 bilhões, de acordo com o Banco Central. "O Nossa Caixa também tem agências em todos os municípios de São Paulo e isso sim é uma grande vantagem para o Banco do Brasil."
Agricultura
Para a associação dos minoritários, a melhor opção seria o BB expandir suas operações dentro do agronegócio, por ser um setor sustentável. "Hoje, se assinássemos acordos como a Alca [Área de Livre Comércio das Américas] ou o acordo com a União Européia, o único setor que, provavelmente, sobreviveria à abertura econômica total, seria o agronegócio brasileiro", afirma. Segundo ela, a crise econômica pode ser, também, uma grande oportunidade, para o BB retomar sua liderança e seu papel histórico de banco de fomento do agronegócio.
"Foi assim [por meio do agronegócio] que o BB escreveu sua história ao longos dos seus 200 anos. Porém, sua atual falta de foco poderia levar a empresa a assumir tudo o que é ruim dentro da política econômica anticíclica do governo, ficando o filé mignon com a Caixa Econômica Federal e com o BNDES", conclui.
(com Carlos Marchi, Vera Rosa e Denise Chrispim Marin, de O Estado de S.Paulo)
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