segunda-feira, 1 de dezembro de 2008, 17:11 | Online

Pubs na Irlanda congelam preço da cerveja para resistir à crise

Estimativa aponta que um em cada oito pubs vai fechar suas portas até 2012 no país, que está em recessão

Jamil Chade, de O Estado de S. Paulo

GENEBRA - Se alguém na Europa tinha dúvidas de que a recessão será longa, uma decisão tomada no último domingo, 1º, na Irlanda comprovou que a situação é mais grave do que se imaginava. Os pubs do país entraram em um acordo inédito para congelar o preço da cerveja. A medida tem como objetivo garantir que a frequentação dos bares não sofra uma queda diante da mais grave recessão enfrentada pela Irlanda nos últimos 30 anos.

 

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No país, a freqüência dos pubs e o consumo da cerveja estão entre os principais indicadores da saúde econômica do país. Desde outubro, cerca de dez pubs vem sendo fechado por semana. Em Dublin, a recessão não está gerando apenas desemprego no setor de construção ou acabando com a fama de dinamismo do "tigre celta". O número de pessoas freqüentando os bares desabou. O congelamento do preço da cerveja será válido por um ano e foi acordada entre 5,5 mil pubs.

 

"No que se refere às finanças, 2009 será um ano muito difícil", afirmou a associação de pubs da Irlanda. Por isso, a decisão de não permitir uma mudança no preço da cerveja vem como "reação a uma deterioração da situação econômica e da pressão sobre os gastos dos consumidores".

 

O temor é de que o ritmo de falência exploda em 2009. Uma estimativa aponta que um em cada oito pubs vai fechar suas portas até 2012. Isso significa a falência de 7,5 mil estabelecimentos. Há uma semana, o tradicional grupo Thomas Read declarou sua falência. O grupo possui 22 pubs apenas na capital da Irlanda e emprega cerca de 400 pessoas.

 

A Irlanda foi um dos primeiros países da Europa a entrar em recessão neste ano e até mesmo os brasileiros que foram trabalhar na construção civil nos últimos anos agora começam a voltar para casa.

 

Os sinais de recessão foram vistos ainda em vários países europeus. Na Espanha, dados oficiais mostraram que a compra de carros novos caiu em 49% no mês de novembro, a segunda pior queda da história do setor automotivo espanhol.


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