quinta-feira, 4 de dezembro de 2008, 17:26 | Online
Vale não descarta novas demissões a curto prazo
Como parte de estratégia, empresa já demitiu 1,3 mil funcionários e concedeu férias coletivas a 5,5 mil
Natalia Gómez - da Agência Estado
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O executivo afirmou que a Vale vai transferir técnicos da Valesul para a área de pelotização da Vale. "Continuamos fazendo ginástica para evitar demissões porque as pessoas são o maior ativo de uma empresa", disse, em um evento realizado hoje no Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
Mesmo assim, o executivo disse que a Vale poderá voltar a contratar em 2009. Segundo ele, a empresa precisará de trabalhadores em seus novos projetos que entrarão em operação, uma vez que os investimentos de longo prazo da companhia não foram cancelados. "Poderemos contratar no ano que vem", disse. A Vale investirá US$ 14 bilhões em 2009, depois de aportes de US$ 11 bilhões neste ano. Ele destacou que em 2008 o saldo de contratações da Vale será positivo em 5 mil pessoas.
Segundo ele, a Vale cortará todas as suas operações de alto custo porque não existe demanda no mercado neste momento. "Estamos avaliando todas as operações", disse. Hoje, a empresa anunciou cortes de produção de níquel no Canadá, depois de ter anunciado uma redução de 30 milhões de toneladas na produção de minério no Brasil, no final de outubro. Ele não deu mais informações de onde podem ocorrer outros cortes. "Não temos definições de quais, onde ou quanto", disse.
O presidente da mineradora reiterou que a demanda por metais será fraca no mercado internacional mesmo com reduções nos preços. "Todos estão evitando consumir enquanto não tiverem um sinal mais claro do que virá adiante", afirmou. "Nem baixando o preço para perto de zero a demanda vai aumentar", disse. Agnelli informou que a produção da siderurgia mundial já caiu mais de 30% desde o agravamento da crise, sendo que em alguns países a queda chegou a 50%.
No mercado de aço inoxidável, principal consumidor do níquel, a produção caiu 70% ou 80%, segundo ele. Conforme o executivo, a China começou a apresentar alguns sinais de recuperação nos últimos dias, mas este efeito foi parcialmente compensado pelo agravamento das condições na Europa.
Investimentos contra a crise
Para combater a crise, Agnelli defendeu que o governo deve agir para minimizar os efeitos da crise mundial sobre o Brasil. "Imaginar que ela não afetará o Brasil é uma irresponsabilidade. Mas existem ações que podem minimizar seus efeitos", disse. As principais iniciativas defendidas pelo executivo estão investimentos em infra-estrutura, especialmente em portos, energia elétrica, ferrovias, rodovias e no transporte urbano.
"Este seria um investimento social, que beneficiaria rapidamente a sociedade como um todo", disse em um evento promovido hoje pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi). Segundo ele, a redução do custo com infra-estrutura seria positivo porque outros países vão atacar o mercado local, "que é muito bom".
Ele destacou o elevado déficit habitacional no País e defendeu o lançamento de um programa agressivo para construção de casas populares, com o objetivo de aumentar o consumo de matérias-primas e absorver empregos de outras áreas. "Todo o dinheiro que está parado de forma ineficiente tem que ser movimentado", disse.
Agnelli afirmou que as empresas foram surpreendidas pela magnitude da crise mundial. "Você sabe que tem uma nuvem, não necessariamente vai ter uma tempestade. Mas ela ficou escura, e veio a tempestade. O clima mudou e de uma forma muito rápida", disse. Para ele, o País tem boas condições para enfrentar a crise porque o mercado interno é muito grande e vem de um processo de crescimento intenso. "O aumento dos preços das commodities fez com que o País acumulasse reservas muito grandes e o sistema financeiro nacional é um dos mais saudáveis", disse.
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