segunda-feira, 5 de janeiro de 2009, 18:16 | Online
Acidente na P-34 estava anunciado, diz diretor dos petroleiros
Simão Zanardi diz que a plataforma está em constante manutenção desde que entrou em operação há um ano
Kelly Lima - da Agência Estado
Veja Também:
Acidente em plataforma da Petrobras mata um e fere dois
Segundo ele, a plataforma está em constante manutenção, desde que entrou em operação há cerca de um ano. "Há quase dois meses a Petrobras vinha mantendo dois hotéis flutuantes ao lado da plataforma, abrigando cerca de 70 técnicos para realizarem a manutenção constante da unidade", disse o sindicalista.
Ainda de acordo com Zanardi, os sindicalistas do Espírito Santo já haviam até mesmo encaminhado à Petrobras um ofício pedindo a parada da plataforma para que ela passasse por uma manutenção encostada num estaleiro, como é de praxe quando ocorrem problemas técnicos. "O que está ocorrendo é uma pressão muito forte da empresa para que sejam cumpridas metas de produção e para colocar em operação o mais rápido possível os campos do pré-sal. É uma saga em busca do óleo a qualquer preço e isso tem sacrificado muito os mergulhadores e especialmente os funcionários terceirizados", disse.
Segundo ele, apesar de a Petrobras ter investido mais em SMS na atual gestão do que na anterior, estes investimentos ainda não se estendem aos terceirizados. "No ano passado (2008) tivemos 14 mortes, o que é mais do que a metade do que na época do FHC (Fernando Henrique Cardoso). Isso demonstra maior cuidado da empresa, mas as mortes são todas de terceirizados".
A unidade é a primeira a produzir o óleo do pré-sal brasileiro e teve a inauguração deste poço em setembro feita com pompa e participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros. A plataforma produz cerca de 40 mil barris, sendo 15 mil do pré-sal. A P-34, porém, já estava operando há pelo menos um ano no campo de Jubarte, produzindo óleo pesado encontrado acima da camada de sal.
Antes mesmo do estardalhaço feito para o lançamento do primeiro óleo do pré-sal, a P-34 já tinha sido alvo de notícias por pelo menos duas ocasiões. A primeira delas, ocorreu em 2002, quando a unidade teve uma inclinação de 32 graus, que levou todos a imaginarem que ela poderia afundar como no acidente ocorrido com a P-36 um ano antes. Segundo técnicos à época, uma pane no sistema elétrico fez com que a plataforma deixasse de gerar 24 volts, interrompendo o sistema operacional. Dessa forma, as válvulas de isolamento entre os 17 tanques se abriram e o óleo acumulou-se nos tanques do lado esquerdo, provocando o adernamento da P-34.
O segundo momento em que a P-34 foi parar nos noticiários foi por conta de uma denúncia de superfaturamento feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) em 2005. O TCU detectou indícios de superfaturamento em dois contratos firmados pela Petrobras com a empresa GDK, instalada no Espírito Santo, além de favorecimento da empresa na licitação. Um dos contratos era para a adaptação da P-34 para operar no campo de Jubarte.
Os dois somavam R$ 151 milhões e foram firmados entre abril de 2003 e novembro de 2004. A GDK admitiu è época que presenteou o ex-secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, com um jipe, da marca Land Rover, de R$ 74 mil. O episódio determinou o afastamento de Pereira e sua desfiliação do PT.
Tags:
Petrobras,
acidente,
P-34
O que são TAGS?