sexta-feira, 23 de janeiro de 2009, 17:25 | Online

CVM determina que 11 empresas republiquem balanços

Comissão detectou falhas na divulgação de informações sobre derivativos, que agora é exigida pela CVM

Mônica Ciarelli, da Agência Estado

RIO - A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que 11 companhias terão de republicar seus balanços financeiros do terceiro trimestre por falhas na divulgação de informações sobre derivativos e dos riscos que essas aplicações representam. Além dessas empresas, a autarquia identificou outras 88 companhias abertas que precisam aperfeiçoar a qualidade de suas informações prestadas. O estudo feito pela CVM tomou como base 148 empresas escolhidas pelo seu grau de relevância e dispersão no mercado de capitais brasileiro.

 

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A decisão de olhar com lupa as informações sobre derivativos apresentadas em notas explicativas foi tomada após a Sadia e a Aracruz anunciarem enormes perdas com esses instrumentos financeiros, o que gerou desconfiança sobre outras companhias. O caso levou a CVM a emitir a deliberação 550, mostrando como se deveria relatar de maneira mais clara nos demonstrativos os riscos envolvendo as aplicações.

 

As onze empresas que terão de refazer seus demonstrativos são: Votorantim Celulose e Papel (VCP), Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Cesp, Inpar, Vigor, Abyara Planejamento Imobiliário, Marfrig, São Paulo Alpargatas, Lojas Americanas, São Martinho. Klabin Segall. Elas terão 15 dias corridos para atender a exigência da autarquia.

 

A superintendente de Relações com Empresas da CVM, Elizabeth Lopez Rios Machado, acredita que apesar das informações sobre instrumentos financeiros prestadas em notas explicativas no terceiro trimestre de 2008 terem uma qualidade "razoável", as companhias abertas brasileiras ainda têm um longo caminho a percorrer até atingir um grau de perfeição em suas demonstrações.

 

O gerente de Acompanhamento de Empresas II da CVM, Alexandre Almeida, também acredita que esse aperfeiçoamento será gradual. Mas, lembra que o número de consultas à autarquia pelas empresas cresceu, o que demonstra um maior interesse das companhias em apresentar informações de melhor qualidade em balanços financeiros.

 

Segundo a superintendente, a CVM busca trabalhar para orientar as empresas nesse caminho, especialmente agora que as regras estabelecem um padrão de informações mais rebuscado, como a obrigatoriedade de se divulgar um quadro demonstrativo de análise de sensibilidade. O estudo mostra que apenas 36 companhias acataram a recomendação da CVM e publicaram o quadro.

 

Elisabeth espera que após os ofícios encaminhados às companhias e os esclarecimentos prestados pela CVM nos últimos meses, os balanços anuais a serem publicados pelas empresas de capital aberto brasileiras apresentam uma qualidade melhor do que a registrada no terceiro trimestre de 2008.


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