quarta-feira, 28 de janeiro de 2009, 10:00 | Online

Crise global pode causar até 51 milhões de demissões em 2 anos

Dados da OIT mostram que, na melhor das hipóteses, a alta de desempregos seria de 18 milhões de pessoas

Jamil Chade - de O Estado de S.Paulo

GENEBRA - A crise econômica mundial se transforma em uma profunda crise social. Se a recessão continuar a se deteriorar, entre 30 milhões e 51 milhões de pessoas perderão seus empregos até o final do ano, em comparação aos números do final de 2007.

 

 

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Os dados são da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que  publicou sua nova estimativa de desemprego no mundo. A alta no número de desempregados é o maior desde que a ONU iniciou seu registro da situação dos trabalhadores no mundo, em 1991.

 

Na melhor das hipóteses, a alta de desempregos seria de 18 milhões de pessoas por causa da crise. Mas a projeção já foi abandonada, já que se baseava em um crescimento do PIB mundial de 2,2% em 2009. O FMI já admite que a recessão será mundial.

 

Um outro cenário da OIT aponta para uma alta de desemprego de 30 milhões de pessoas, caso as medidas impostas pelos governos deem resultados rápidos. Mas se a situação econômica continuar a se deteriorar, como o FMI está alertando, o desemprego mundial passará de 5,7% em 2007 para 7,1% em 2009, com 51 milhões de novos desempregados. "A tensão será alta", afirmou Somavia.

 

Só na segunda-feira passada, mais de 80 mil pessoas perderam seus postos de trabalho entre as grandes multinacionais. No total, 230 milhões de pessoas no mundo viverão sem trabalho até o final do ano. Em 2007, a taxa era de 179 milhões, contra 190 milhões em 2008.Para Juan Somavia, diretor-geral da OIT, governos precisam começar a dar uma resposta às famílias. "A atual crise pode sim levar a uma crise social. As classes médias estão se enfraquecendo e a estabilidade política está ameaçada", afirmou.

 

Na América Latina, o pior cenário alerta que 23 milhões de pessoas não terão trabalho. Em 2007, o número era de 19 milhões. Nos países ricos, o número total de desempregados chegará a 40 milhões.


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