_Agrícola

quinta-feira, 5 de março de 2009, 17:22 | Online

De olho em recomposição de estoques, Brasil retoma ritmo

Fragilidade de concorrentes e novo acordo com Petrobras para Nafta permitirão números melhores em 2009

Aluísio Alves  - Reuters

SÃO PAULO - Após ter sofrido um prejuízo de 2,5 bilhões de reais em 2008, em meio à combinação de crise, volatilidade no câmbio e nos preços das commodities, a Braskem agora aposta que a necessidade dos clientes para repor estoques, a fragilidade de seus concorrentes no exterior e um novo acordo com a Petrobras para a Nafta lhe permitirão registrar números melhores em 2009, mesmo com a desaceleração econômica.

 

"Houve um desestocagem na cadeia devido à restrição de crédito, especialmente nos setores de agronegócio e de bens duráveis, mas a demanda já está sendo restabelecida", Disse Bernardo Gradin, presidente executivo da petroquímica a jornalistas nesta quinta-feira, ao apresentar os resultados do ano passado.

 

Segundo ele, após a turbulência do último trimestre de 2008, em que a queda na demanda por resinas fez a companhia reduzir a cerca de 55 por cento o nível de utilização de suas fábricas em dezembro, essa taxa já está chegando a cerca de 80 por cento este mês e tende voltar aos níveis pré-crise até abril, de 90%.

 

Segundo ele, se confirmada a expectativa de crescimento da economia doméstica em 2009, de 1,5 a 2 por cento, as vendas de resinas no país devem subir cerca de 3 por cento. Em 2008, o volume de vendas da companhia no país foi de 2 por cento. Por isso, planos de férias coletivas ou de demissões incentivadas estão descartados.

 

Em outra frente, Gradin avalia que a Braskem tende a se beneficiar dos efeitos do câmbio desvalorizado. Na sua avaliação, a companhia sentiu mais rapidamente os efeitos da disparada do dólar porque isso impactou instantaneamente o endividamento, que é referenciado na moeda norte-americana. Isso levou a um resultado financeiro líquido negativo de 3,7 bilhões de reais.

 

Como tem boa parte dos custos de produção em reais, agora a companhia tende a ganhar competitividade frente a concorrentes estrangeiros, avaliou, especialmente para enfrentar uma esperada sobre oferta de polietileno, situação que ele classificou como um "desafio enorme".

 

Além disso, a empresa manteve uma posição de caixa de cerca de 3 bilhões de reais, acima dos 2,4 bilhões de reais em dívidas vincendas em 2009, o que deixa a companhia numa posição de liquidez confortável.

 

"Esse é um diferencial importante, porque diversos dos nossos concorrentes no exterior estão enfrentando problemas sérios de endividamento", disse Gradin.

 

Ele afirmou que, por ter esse perfil mais confortável de dívida, a Braskem tem sido procurada por bancos com o objetivo de alongar seus vencimentos, hoje de 11 anos. Uma primeira operação já foi aprovada na quarta-feira pelo Conselho de Administração, que prevê a contratação de um empréstimo de cerca de 200 milhões de dólares junto à Caixa.

 

Nafta

 

O presidente da Braskem afirmou que as negociações com a Petrobras para definir um novo critério de definição de preço da nafta, que se arrasta há meses, devem ser finalizadas este mês. O produto representa 80 por cento dos custos da Braskem, que compra cerca de 5 milhões das 8 milhões de toneladas de nafta da Petrobras.

 

"O novo acordo vai permitir a definição do preço em prazos maiores", disse.

 

Atualmente, o preço é reajustado mensalmente com base na variação do mês anterior. Em 2008, o preço da tonelada da nafta, que era de 829 dólares em janeiro, subiu a mais de mil dólares em junho e caiu para 258 dólares em dezembro.

 

Gradin reafirmou que a construção do parque fabril no Rio Grande do Sul, que vai fabricar polietileno a partir de matéria-prima renovável, deve ser iniciada este mês, com a conclusão prevista para o final de 2010.

 

O cronograma dos projetos na Venezuela, Bolívia e Peru também foram mantidos. A companhia planeja para 2009 investimentos da ordem de 909 milhões de reais, ante 1,4 bilhão de reais no ano passado.

 

Às 14h19, as ações da Braskem exibiam queda de 1,5%, cotadas a 4,64 reais. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 2,59%, a 37.409 pontos.

 

(Edição de Alberto Alerigi Jr.)