quarta-feira, 8 de abril de 2009, 13:39 | Online

Oposição quer que Mantega e Lima Neto esclareçam saída do BB

'A desculpa do spread é ridícula. Nós soubemos que houve operação irregular', afirma presidente do DEM

Marcelo de Moraes e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

BRASÍLIA - O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ) informou nesta quarta-feira, 8, que os partidos de oposição - DEM, PSDB e PPS - pretendem apresentar requerimento de convocação do ministro da Fazenda, Guido Mantega e de Antonio Francisco Lima Neto, ex-presidente do Banco do Brasil. O objetivo, segundo ele, é que os dois deem esclarecimentos sobre as operações feitas pela instituição que motivaram a demissão de Lima Neto.

 

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"A desculpa do spread é ridícula. Nós soubemos que houve operação irregular. Queremos saber quais foram. Isso não exime o governo federal da responsabilidade do que ocorreu no banco do Brasil. Quem nomeia o presidente do Banco do Brasil é o presidente Lula", disse ele.

 

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE) reforçou a fala de Maia e afirmou que o ex-presidente do Banco do Brasil "efetivamente não terá caído por conta de taxas de juros". "Essa é uma visão pitoresca, afirmou o tucano. A informação oficial é de que Lima Neto teria deixado o cargo a pedido.

 

Assim como o presidente do DEM, Guerra disse que a oposição vai convocar o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ir ao Senado explicar as causas da saída de Lima Neto. Segundo Guerra há cerca de uma semana já havia rumores sobre a queda do presidente do BB.

 

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), disse que ficou surpreso com a saída de Lima Neto. "Não sabemos o motivo, mas não creio que seja essa questão da taxa de juros, porque senão aí tem que demitir os presidentes de outros bancos", afirmou Casagrande. O PSDB, o DEM e o PPS devem divulgar ainda hoje nota conjunta sobre a demissão de Lima Neto.

 

Em entrevista coletiva nesta quarta, o presidente demissionário do Banco do Brasil (BB), Antonio Francisco de Lima Neto, negou os rumores. "Para ser sincero, é a primeira vez que estou ouvindo isso", declarou Lima Neto, em entrevista.

 

Ele afirmou que a aquisição de instituições e de carteiras "é um negócio do banco, e a concessão do crédito tem um modelo totalmente segregado, não há uma pessoa que domine todo o processo (dentro do BB)." Segundo Lima Neto, o Banco do Brasil segue regras de governança, e isso é um dos motivos pelos quais 22% das ações do BB são negociados em Bolsa de Valores.

 

O ministro da Fazenda também afirmou que não tem conhecimento sobre qualquer denúncia de irregularidade na aquisição de carteiras de outras instituições pelo Banco do Brasil, durante a gestão de Antonio Francisco de Lima Neto.

 

Os partidos de oposição divulgaram nesta tarde uma nota em que oficializam a intenção de pedir a convocação de Mantega e Lima Neto. Veja a íntegra da nota:

 

"Nota à imprensa

OPOSIÇÃO EXIGE A VERDADE SOBRE DEMISSÃO NO BB

Os líderes da Oposição vem a público informar ao país que apresentarão requerimento junto às Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal convocando o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a apresentar explicações à sociedade sobre as razões que determinaram a demissão do presidente do Banco do Brasil, Antonio Francisco de Lima Neto. A versão do governo sobre o afastamento não tem credibilidade, uma vez que não faz referência ao trabalho que estava sob a responsabilidade do servidor demitido. Nesse sentido, cumpre pedir atenção da sociedade para os seguintes pontos:

1)ao autorizar, por meio da Medida Provisória 443, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a comprar participação de instituições financeiras em dificuldades, o governo abriu a porta dos negócios sem transparência e, em decorrência, sem qualquer fiscalização, nas duas instituições;

2)não é bom para o país que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal, os dois principais bancos públicos brasileiros, realizem negócios sem licitação com instituições financeiras, empresas do ramo de seguro, previdência e capitalização, como vem acontecendo;

3)regras frouxas para transações do Estado, como as estabelecidas na MP 443, estão em desacordo com o princípio da probidade administrativa, princípio da Constituição que busca garantir a isenção e a impessoalidade do Poder Executivo no trato com a coisa pública;

4)além do ministro da Fazenda, o ex-presidente do Banco do Brasil e o presidente da Caixa Econômica Federal também devem comparecer ao Congresso para explicações a respeito das operações realizadas sob a égide da MP 443.

Brasília, 8 de abril de 2009

Sérgio Guerra, Presidente do PSDB

Roberto Freire, presidente do PPS

Rodrigo Maia, Presidente do Democratas"

 

Matéria atualizada às 17h08


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