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quarta-feira, 15 de agosto de 2007, 17:49 | Online
ANÁLISE-Recente alta do dólar ajuda pouco a agricultura em 2007
ROBERTO SAMORA - REUTERS
SÃO PAULO - A recente valorização do dólar frente
ao real, que em tese elevaria os ganhos dos brasileiros que
exportam commodities agrícolas, chegou tarde demais para
impactar significativamente na renda do setor em 2007, disseram
analistas, observando também que a alta da moeda
norte-americana ainda é pequena para elevar os lucros.
Desde o início do mês, o dólar subiu cerca de 6 por cento, em meio ao nervosismo nos mercados financeiros. Nesta quarta, fechou acima de 2 reais pela primeira vez em três meses.
Segundo especialistas, a produção de grãos de 2006/07 está praticamente toda comercializada. E apenas os setores de açúcar e álcool, com mais quatro meses de colheita de cana, e o de café, que está finalizando esse trabalho, poderiam tirar algum proveito da alta do dólar.
"Essa desvalorização (do real) nesse momento beneficia relativamente pouco a agricultura em termos de receita, porque a maior parte da produção de grãos já foi comercializada, soja, milho, mesmo a safrinha (segunda safra de milho)", afirmou Fábio Silveira, analista da RC Consultores, por telefone.
De acordo com Silveira, a manutenção desse câmbio mais firme pode "representar alguma coisa adicional para as culturas que são colhidas no segundo semestre". "Com ressalvas, talvez no caso do café isso possa ser mais verdade."
Antes da crise de crédio iniciada nos EUA, a RC Consultores já previa um salto na receita agrícola brasileira para 121 bilhões de reais, ante 102 bilhões em 2006, devido ao aumento da produção e dos preços das commodities. Agora, com um dólar mais firme, Silveira prevê uma ligeira melhora no faturamento, para até 123 bilhões de dólares.
POSSÍVEL 2008 MELHOR
O consultor justificou que "a valorização não é tão grande e o tempo para poder desfrutar dessa valorização em 2007 também não é extenso".
Dados da consultoria FNP confirmam que restam apenas de 10 a 15 por cento da safra de soja 06/07 a ser comercializada, a de milho praticamente toda foi vendida, e os produtores ainda têm de 30 a 40 por cento da safrinha para vender.
"Mas esse pequeno percentual (a ser vendido com o preço melhor) às vezes significa o lucro do produtor", ponderou a analista Jacqueline Bierhals, da FNP.
Ela observou ainda que, com preços dos grãos elevados, esse momento de câmbio mais firme é "uma boa hora" para realizar vendas futuras da safra 2007/08. Ela não acredita que o dólar, no entanto, suba mais, avaliando como ruim o atual patamar, mesmo com a recente valorização.
Um outro analista da FNP, Fábio Turquino Barros, acrescentou que, se o dólar se mantiver nesse patamar até a época do plantio da safra, em outubro, pode incentivar produtores de grãos a aumentar a semeadura, que já deverá ter crescimento em função dos preços mais altos.
Ele não vê riscos de aumento de gastos significativos, caso o dólar continue a se valorizar, na medida em que a maior parte dos custos com insumos estão "travados" nessa moeda.
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, também não vê o câmbio atual, mesmo com a recente valorização, como favorável ao setor. Para ele, ao contrário, o nervosismo no mercado financeiro pode gerar incertezas. "Essa volatilidade toda é negativa", disse ele, para quem tudo indica que a moeda não mudará de trajetória de queda anterior à alta.
O analista da RC, que prevê uma renda agrícola maior em 2008, que pode somar 129 bilhões de reais, com um aumento da produção brasileira, admite fazer alguma correção em sua estimativa se a crise de crédito global se estender.
"Teriam algumas correções para baixo desse ganho decorrentes de uma eventual queda nos preços mundiais se, não estou dizendo que isso vai acontecer, os fundamentos do mercado ficassem um pouco mais frouxos, teria demanda menor, haveria uma queda de preços, é um cenário possível, não provável."
Desde o início do mês, o dólar subiu cerca de 6 por cento, em meio ao nervosismo nos mercados financeiros. Nesta quarta, fechou acima de 2 reais pela primeira vez em três meses.
Segundo especialistas, a produção de grãos de 2006/07 está praticamente toda comercializada. E apenas os setores de açúcar e álcool, com mais quatro meses de colheita de cana, e o de café, que está finalizando esse trabalho, poderiam tirar algum proveito da alta do dólar.
"Essa desvalorização (do real) nesse momento beneficia relativamente pouco a agricultura em termos de receita, porque a maior parte da produção de grãos já foi comercializada, soja, milho, mesmo a safrinha (segunda safra de milho)", afirmou Fábio Silveira, analista da RC Consultores, por telefone.
De acordo com Silveira, a manutenção desse câmbio mais firme pode "representar alguma coisa adicional para as culturas que são colhidas no segundo semestre". "Com ressalvas, talvez no caso do café isso possa ser mais verdade."
Antes da crise de crédio iniciada nos EUA, a RC Consultores já previa um salto na receita agrícola brasileira para 121 bilhões de reais, ante 102 bilhões em 2006, devido ao aumento da produção e dos preços das commodities. Agora, com um dólar mais firme, Silveira prevê uma ligeira melhora no faturamento, para até 123 bilhões de dólares.
POSSÍVEL 2008 MELHOR
O consultor justificou que "a valorização não é tão grande e o tempo para poder desfrutar dessa valorização em 2007 também não é extenso".
Dados da consultoria FNP confirmam que restam apenas de 10 a 15 por cento da safra de soja 06/07 a ser comercializada, a de milho praticamente toda foi vendida, e os produtores ainda têm de 30 a 40 por cento da safrinha para vender.
"Mas esse pequeno percentual (a ser vendido com o preço melhor) às vezes significa o lucro do produtor", ponderou a analista Jacqueline Bierhals, da FNP.
Ela observou ainda que, com preços dos grãos elevados, esse momento de câmbio mais firme é "uma boa hora" para realizar vendas futuras da safra 2007/08. Ela não acredita que o dólar, no entanto, suba mais, avaliando como ruim o atual patamar, mesmo com a recente valorização.
Um outro analista da FNP, Fábio Turquino Barros, acrescentou que, se o dólar se mantiver nesse patamar até a época do plantio da safra, em outubro, pode incentivar produtores de grãos a aumentar a semeadura, que já deverá ter crescimento em função dos preços mais altos.
Ele não vê riscos de aumento de gastos significativos, caso o dólar continue a se valorizar, na medida em que a maior parte dos custos com insumos estão "travados" nessa moeda.
O presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho, também não vê o câmbio atual, mesmo com a recente valorização, como favorável ao setor. Para ele, ao contrário, o nervosismo no mercado financeiro pode gerar incertezas. "Essa volatilidade toda é negativa", disse ele, para quem tudo indica que a moeda não mudará de trajetória de queda anterior à alta.
O analista da RC, que prevê uma renda agrícola maior em 2008, que pode somar 129 bilhões de reais, com um aumento da produção brasileira, admite fazer alguma correção em sua estimativa se a crise de crédito global se estender.
"Teriam algumas correções para baixo desse ganho decorrentes de uma eventual queda nos preços mundiais se, não estou dizendo que isso vai acontecer, os fundamentos do mercado ficassem um pouco mais frouxos, teria demanda menor, haveria uma queda de preços, é um cenário possível, não provável."
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