quarta-feira, 15 de julho de 2009, 14:01 | Online

Em 10 anos, País pode ser 5ª maior economia mundial, diz Lula

Presidente diz, porém, que não se pode ser 'ufanista' e achar que a crise já foi totalmente superada no Brasil

Leonardo Goy, da Agência Estado

BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira, 15, em reunião com executivos da General Motors (GM) do Brasil, que se o País mantiver seu ritmo de crescimento chegará em 10 anos ao posto de quinta maior economia do mundo. "Se a gente continuar nesse ritmo eu não tenho dúvidas de que nos próximos 10 anos o Brasil será a quinta maior economia do mundo", disse o presidente. A reunião de Lula com a GM foi fechada para a imprensa, mas o áudio do discurso do presidente foi disponibilizado no site da Presidência da República.

 

Veja também:

especialESPECIAL: Dólar, o fim de uma era?

especialAs medidas do Brasil contra a crise

especialAs medidas do emprego

especialDe olho nos sintomas da crise econômica 

especialDicionário da crise 

especialLições de 29

especialComo o mundo reage à crise 

 

Lula ponderou que o Brasil ainda não superou totalmente a crise. "Não vamos ser ufanistas e achar que resolvemos tudo. O crédito ainda tem pendências e o spread ainda está alto." Lula também ressaltou o papel dos bancos públicos brasileiros como instrumento de fomento do crédito nos momentos mais agudos da crise, quando o crédito nas entidades internacionais secou.

 

"Ficou provado que banco público não é ruim, como alguns diziam, é que se bem gerenciado é uma obra-prima na hora em que falta dinheiro no mercado", disse. Para Lula, o fato de o Brasil ter bancos públicos sólidos, como o BNDES, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, foi uma vantagem comparativa do País durante a crise, somado ainda à situação saudável dos bancos privados nacionais, que não estavam envolvidos com o crédito de risco "subprime".

 

Lula disse que, em conversa que teve com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse a ele que o problema dos EUA é que o país não tinha um sistema financeiro sólido "com alguns bancos públicos importantes". Para Lula, a crise no fim do ano passado foi gerada em parte por certo temor na sociedade. Segundo ele, a falta de crédito no mercado foi tão grave que até a Petrobras teve de recorrer a bancos públicos para ter crédito, disputando espaço com pequenas e médias empresas que têm preferência nessas instituições.

 

Multinacionais

 

No discurso a executivos da GM do Brasil, o presidente Lula disse que "é incomensurável o orgulho de ser brasileiro em um momento em que percebemos que as empresas no Brasil estão melhores do que suas matrizes nos países desenvolvidos". A GM brasileira anunciou hoje investimentos de R$ 2 bilhões na fábrica de Gravataí (RS). A matriz norte-americana, por sua vez, concluiu recentemente um complexo programa de reestruturação.

 

Lula afirmou que tanto Obama, quanto o presidente francês, Nicolas Sarkozy, em conversas com ele, ficaram "boquiabertos" com os resultados da indústria automotiva brasileira. Lula citou dados do setor e disse que a expectativa de vendas de automóveis no mercado doméstico este ano é de aproximadamente 2,7 milhões de unidades, o que representa um crescimento de 4,2% em relação ao ano passado. "Quando uma empresa anuncia uma crise, começa a mandar trabalhadores embora, mas depois de três meses começa a convocar hora extra significa que ela está acreditando no futuro e que foi precipitada no mês de dezembro", afirmou, arrancando risadas da plateia, formada principalmente por executivos da montadora.

 

Lula também fez brincadeiras ao afirmar que o carro continua sendo "depois da mulher, ou depois do homem, a paixão do ser humano". Ao recordar das medidas tomadas pelo governo para estimular a venda de automóveis, como a redução do IPI, ele lembrou que o governo também desonerou produtos eletrodomésticos da linha branca, como a máquina de lavar. "E as vendas da máquina de lavar cresceram 30%. E por quê? Porque a máquina de lavar é um dos itens da independência da mulher e é um dos jeitos que se têm de fazer os homens lavar roupa. É só pegar a roupa e jogar na máquina", afirmou o presidente, arrancando mais gargalhadas dos empresários.

 

Ele também fez um apelo para que as empresas apostem em mercados como o do continente africano. Lula lembra que os EUA não deverão voltar a consumir como antes. "O Obama me disse que os EUA não devem voltar a ter o consumo que tinham porque o povo está muito endividado".


Tags:  crise financeira, Lula, empresas     O que são TAGS?