terça-feira, 5 de janeiro de 2010, 18:29 | Online

Investidor estrangeiro mantém Bovespa nos 70 mil pontos

Para operadores, desempenho do segundo pregão de 2010 foi prejudicado pela queda nas ações da Petrobrás

Taís Fuoco, da Agência Estado

SÃO PAULO - O investidor estrangeiro garantiu que a Bovespa fincasse pé nos 70 mil pontos, marca alcançada no primeiro pregão de 2010 e que não era atingida desde o início de junho de 2008. Para alguns operadores, a alta deste segundo pregão de 2010 poderia até ter sido maior, não fosse a queda nas ações da Petrobrás, uma das blue chips da bolsa brasileira.

 

O principal índice da bolsa doméstica subiu nesta terça-feira, 5, 0,28%, aos 70.239,82 pontos, depois de oscilar entre a máxima de 70.594,55 e a mínima de 69.927,80 pontos. O giro ainda preliminar subiu para R$ 7,11 bilhões, ante os R$ 5,25 bilhões registrados na segunda.

 

Enquanto a Petrobrás impediu a bolsa de avançar mais, os papéis da Vale foram as estrelas destes dois primeiros dias de negociação no mercado doméstico. Para Pedro Galdi, analista da SLW Corretora, desde ontem a entrada de estrangeiros na Bolsa tem sido forte e a preferência desse investidor tem sido pelas ações da Vale, que tem boas perspectivas neste ano.

 

"O cenário é muito positivo para a Vale", afirma, ao citar que o preço do minério de ferro no mercado spot é hoje por volta de US$ 130 a tonelada, cerca de 60% mais alto que no ano passado, "o que dá mais força às mineradoras nas negociações", citou.

 

Novos mercados

 

No caso da Petrobrás, por sua vez, um operador avalia que "o mercado vai segurar o papel até que a capitalização da empresa seja definida" e isso explica a discrepância cada vez maior entre os preços de Petrobrás e Vale, as duas ações com maior peso na bolsa local.

 

Segundo ele, "a presença do estrangeiro surpreendeu ontem e hoje", mas esse investidor tem preferido as ações da Vale, enquanto detalhes importantes do futuro da estatal de petróleo permanecem em suspense, como o modelo de exploração na camada do pré-sal.

 

Além disso, o jornal português Diário Econômico afirmou em sua edição desta terça que a Petrobrás voltou a negociar a compra da fatia de 33,34% que a italiana Eni possui na petroleira portuguesa Galp Energia. Segundo a publicação, o governo do Brasil apoia a entrada da companhia no capital da Galp para permitir que a estatal petrolífera acesse o mercado de refino europeu, assim como entre em novos mercados, sobretudo africanos. A empresa, entretanto, negou a informação.

 

Mas a notícia já acende um sinal amarelo sobre os que temem pelo alto endividamento da companhia. Petrobrás ON perdeu hoje 0,60%, a R$ 41,40, enquanto a ação preferencial teve queda de 0,86%, para R$ 37,00. Já a ordinária da Vale avançou 0,93%, para R$ 51,97, enquanto a ação PNA subiu 1,40% (R$ 44,13).

 

Capital estrangeiro

 

O apetite do estrangeiro já pôde ser medido nos números de 2009, segundo dados informados nesta terça pela bolsa. A Bovespa encerrou o ano passado com superávit de R$ 20,596 bilhões em capital externo, com a entrada de R$ 146,061 milhões no último dia útil do ano, 30 de dezembro.

 

O resultado, além de representar um recorde, marca o retorno dos estrangeiros à Bolsa após dois anos consecutivos de saldos negativos, de R$ 4,235 bilhões em 2007 e de R$ 24,629 bilhões (recorde histórico) em 2008. O recorde anterior é de 2003, primeiro ano do governo Lula, quando foi apurado superávit de R$ 7,495 bilhões em recursos estrangeiros.

 

As negociações no mercado de ações também atingiram volume financeiro recorde de R$ 6,840 bilhões na média diária no quarto trimestre. O valor ficou 3,34% acima da marca anterior, de R$ 6,618 bilhões, apurada no quarto trimestre de 2007. O resultado também superou em 31,19% o volume médio diário do terceiro trimestre de 2009, de R$ 5,214 bilhões.

 

Segundo comunicado da Bovespa, a participação dos investidores estrangeiros no volume negociado foi de 31,7%, seguido pelas pessoas físicas (29,1%), investidores institucionais (27,1%), instituições financeiras (9,8%) e outros (0,06%).

 

A disposição do investidor garantiu, inclusive, que a Bovespa operasse descolada das bolsas de Nova York, onde indicadores sem consenso afetaram o humor dos mercados. Perto das 18h20, o índice Dow Jones tinha recuo de 0,32%, enquanto o S&P 500 subia 0,10% e o Nasdaq sofria retração de 0,14%.

 

Economia americana

 

Entre os indicadores norte-americanos conhecidos nesta terça, o índice de vendas pendentes de imóveis residenciais usados despencou 16,0% em novembro, para 96,0, de dado revisado em alta de 114,3 em outubro, informou a Associação Nacional de Corretores de Imóveis. Trata-se do primeiro declínio em 10 meses e é mais que o triplo do esperado por economistas consultados pela Dow Jones, que previam queda de 5,0%.

 

Por outro lado, as encomendas à indústria dos EUA cresceram 1,1% em novembro na comparação com outubro, enquanto analistas previam que as encomendas de novembro cresceriam 0,5% em relação ao mês anterior. Em outubro, houve aumento de 0,8% nas encomendas, em dado revisado. As encomendas de bens duráveis avançaram 0,2% em novembro, enquanto as encomendas de bens não-duráveis subiram 1,8% no mesmo período. As encomendas ainda não atendidas, um sinal da demanda futura, recuaram pelo 14º mês consecutivo, a uma taxa de 0,7%. A demanda por bens do setor de transporte caiu 5,8%.

 

Mercado europeu

 

Na Europa, as principais bolsas registraram desempenhos desiguais, depois de terem devolvido os ganhos de mais cedo em reação ao fraco dado de vendas pendentes de imóveis residenciais nos EUA. Mais cedo, as ações financeiras haviam liderado os ganhos depois que analistas do Deutsche Bank reiteraram seu ponto de vista positivo para o setor.

 

Em Londres, o índice FT-100 subiu 22,16 pontos (0,40%) e fechou a 5.522,50 pontos; em Paris, o índice CAC-40 caiu 1,06 pontos (0,03%) e fechou com 4.012,91 pontos; em Frankfurt, o índice Dax-30 recuou 16,44 pontos (0,27%) e fechou com 6.031,86 pontos.

 

No lado corporativo, uma fonte ouvida pela Dow Jones informou que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) emitiu US$ 1 bilhão em bônus de 10 anos no exterior em operação coordenada pelo HSBC Holdings PLC e pelo Barclays PLC com bônus de 5,634%. A demanda foi de três vezes o valor da emissão, segundo a fonte. A assessoria de imprensa do BNDES informou que o banco estatal não vai se manifestar sobre o assunto.

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