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quarta-feira, 7 de novembro de 2007, 10:22 | Online
Quatro companhias se dispõem a atender passageiros da BRA
TAM, Gol, OceanAir e Webjet se prontificam para acomodar passageiros; BRA suspendeu seus vôos na terça
Carina Flosi e Marcos Burghi, do JT
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Em Congonhas, porém, quem foi à loja da BRA não conseguiu trocar os bilhetes, já que os vôos da companhia saem exclusivamente do aeroporto de Cumbica. Os passageiros que pediram informações sobre o reembolso do dinheiro ouviram respostas desencontradas sobre o prazo para receber o dinheiro gasto: alguns funcionários informaram que o tempo variaria entre 15 e 30 dias, outros entre 30 e 60.
Nesta manhã, A TAM divulgou nota na qual esclarece que a medida de aceitar os passageiros da BRA é resultado de uma solicitação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para evitar que cerca de 70 mil passageiros percam seus vôos. Segundo a nota, "a TAM aceitará a partir de hoje, dia 7, os bilhetes já emitidos pela BRA para destinos domésticos e internacionais, de acordo com a disponibilidade de assentos nos vôos operados pela TAM".
"Do ponto de vista de absorção dos passageiros da BRA, a indústria está preparada. Não vai haver dificuldades para isso. Num momento como esse temos de ser solidários", afirmou o presidente da WebJet, Paulo Enrique Coco, durante evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham), no Rio. A WebJet opera com duas aeronaves da Boeing 737-300 e voa para 10 destinos no País.
Na última terça-feira, a BRA suspendeu suas operações parando de vender bilhetes, tirando o site do ar e dando aviso prévio para seus 1.100 funcionários. Nos guichês da companhia em Cumbica, não havia na manhã desta quarta-feira nenhum funcionário para atender os passageiros.
Apesar de ter recebido um aporte de R$ 180 milhões de um grupo de investidores em dezembro do ano passado, a companhia acumula mais de US$ 100 milhões em dívidas com bancos e empresas de leasing, revelam fontes do mercado.
A empresa, que em seu auge chegou a transportar 180 mil passageiros por mês, tinha 70 mil passagens vendidas até março de 2008.
Nesta quarta, a
Quanto ao reembolso, a BRA afirma, por meio da nota, que os "passageiros que não iniciaram a viagem devem solicitar o reembolso, que será pago na forma original do pagamento. A empresa pagará em até 30 dias o reembolso solicitado".
Crise
Em nota divulgada na terça, a BRA afirmou que a suspensão é 'temporária', mas não tem previsão de quando voltaria. Na nota, a empresa disse ainda estar 'em processo de negociação para a obtenção dos recursos financeiros necessários para a continuação das operações'. A empresa tem 180 dias para voltar a operar, sob pena de perder a concessão.
Segundo analistas, é praticamente impossível uma companhia aérea voltar a operar depois de uma parada. 'Não existe esse negócio de companhia aérea parar. Transbrasil e Vasp prometeram voltar, mas não saíram do chão', afirma o consultor Paulo Bittencourt Sampaio. 'É como um paciente que pára de respirar. Acabou.'
A companhia detinha 4,6% de participação no mercado doméstico em setembro. Fazia uma média de 35 vôos domésticos durante a semana e 50 vôos nos finais de semana. Os destinos internacionais (Lisboa, Madri e Roma) já haviam sido interrompidos na semana passada.
A crise financeira da BRA veio à tona com o fim do acordo de compartilhamento de assentos (code share) com a OceanAir. A parceria começou a valer no dia 18 de junho, mas foi desfeita três meses depois. Segundo pessoas próximas à aliança, o rompimento foi determinado por dívidas da BRA com a OceanAir e pelas diferenças de estratégias. Segundo fontes da OceanAir, a dívida da BRA apenas com a própria OceanAir é de R$ 400 mil.
A BRA chegou a ter 11 aeronaves, mas estava operando com apenas seis por falta de recursos para pagar aluguéis. Diante da redução da frota, a empresa solicitou uma redução de sua malha de vôos. Criada em 1999 pelos irmãos Humberto e Walter Folegatti, empresários do ramo de turismo, a empresa nasceu de uma parceria com uma empresa de turismo do grupo Varig. A parceria foi parar na Justiça sob acusação de favorecimento de alguns executivos ligados à Fundação Ruben Berta, ex-controladora da Varig.
Consumidor
O Procon-SP alertou aos passageiros com passagens já compradas que procurem os postos da Anac nos aeroportos, e, caso não consigam reembolso ou realocação, que procurem o Procon para registrar queixa. Em nota, a BRA disse aos passageiros para não se dirigirem aos aeroportos ou às lojas da empresa antes de entrar em contato pelo telefone (11) 3583-0122. A empresa também informou que informações podem ser obtidas por meio do site voebra.com.br.
Informação: O consumidor que tiver passagens da BRA deve procurar os postos de atendimento da companhia, que têm o dever de reembolsar o valor da passagem ou realocar o passageiro em vôo de outra empresa aérea
Recusa: No caso de as companhias aéreas se recusarem a realocar os passageiros, o consumidor deve procurar a Anac
Reembolso: Caso não consiga lugar em outro vôo nem o reembolso da passagem por parte da BRA, o passageiro deve recorrer aos Juizados Especiais Cíveis, localizados nos aeroportos, ou procurar órgãos de defesa do consumidor como o Procon
Pacotes: Caso tenha adquirido pacotes que incluam vôos fretados da BRA, o consumidor deve entrar em contato com a agência de viagens
Diferença: O consumidor não tem a obrigação de arcar com eventuais diferenças de preço do bilhete, no caso de endosso por outra companhia
Contato: A BRA recomenda aos passageiros com bilhetes comprados que, antes de se dirigirem aos balcões da companhia nos aeroportos, entrem em contato com a empresa pelo telefone (11) 3583-0122 ou busquem informações no site voebra.com.br ou pelo e-mail de atendimento da companhia (aqui).
Com Mariana Barbosa, Alberto Komatsu e Andrea Vialli, do Estado
Matéria ampliada às 13h49 para acréscimo de informações
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