Negócios
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007, 16:50 | Online
ENTREVISTA-Pih vê conjunção inédita de problemas para moinhos
ROBERTO SAMORA - REUTERS
SÃO PAULO - Há 42 anos trabalhando na indústria
do trigo, o presidente do Moinho Pacífico, um dos maiores do
Brasil, afirmou que a indústria de moagem do país enfrenta uma
conjunção inédita de problemas, agravados mais recentemente por
medidas do governo da Argentina, principal fornecedor da
matéria-prima aos brasileiros.
"Nunca vi uma situação dessa, juntou vários problemas, frete com custo astronômico, baixa oferta de trigo no mundo, preços altos, problemas de safra no Brasil, geada na Argentina, problemas relacionados a registros de exportação (na Argentina)", disse Lawrence Pih, em entrevista à Reuters por telefone.
Nesta semana, o governo da Argentina ampliou a suspensão temporária para a emissão de registros de exportação [ID:nN04481719], causando ainda mais preocupações para o setor, que está assustado com a possibilidade de ter que comprar milhões de toneladas do grão fora do Mercosul, pagando taxas e fretes mais elevados, além do custo maior do produto.
O Pacífico, com capacidade de moer cerca de 900 mil toneladas por ano, importa boa parte do produto da Argentina. E, apesar de dispor de logística privilegiada por estar contíguo ao porto de Santos, onde a mercadoria importada chega, Pih prevê problemas.
"Tem diversos: o primeiro é se a Argentina vai conseguir embarcar até o final de fevereiro (já há registros de exportação para 7 milhões de toneladas, e esse volume teria de ser embarcado em três meses, de acordo com a nova regra). É saber se vai conseguir embarcar por causa dos fretes", afirmou ele, lembrando que os custos do transporte triplicaram ante 2006 e poderiam inviabilizar os embarques. [ID:nN30535728]
O frete da Argentina para Santos está em torno de 45 dólares/tonelada.
Pelas contas do presidente do Pacífico, a Argentina já negociou 6 milhões de toneladas das 7 milhões registradas. E a segunda preocupação de Pih, não menos grave, tem justamente a ver com a disponibilidade de trigo.
"Pelos meus cálculos, o Brasil comprou 2,5 dos 6 milhões já vendidos. E não vai conseguir comprar mais porque não tem espaço para armazenar (um volume maior em um período curto)."
Segundo ele, os moinhos do país pegarão pouco da diferença entre o que foi vendido e o que foi registrado também devido a outras nações buscarem o competitivo trigo argentino.
Além disso, o presidente do Pacífico disse trabalhar com quebra de safra argentina em função das geadas, o que aperta mais a oferta no país vizinho.
"Nesse cenário (considerando as exportações já feitas e o consumo argentino), eles têm mais 2,5 milhões para vender nesta safra. Agora, quando abrirem os registros novamente vai ter demanda por esses 2,5 milhões não só do Brasil, mas do mundo... Supondo que o Brasil consiga comprar mais 1,5 milhão do que sobrou, o país terá importado ao todo da Argentina 4 milhões de toneladas."
Isso significa, segundo Pih, que o Brasil precisará buscar mais grão fora do seu tradicional fornecedor, já que a demanda pelo importado do país é de ao menos 6 milhões de toneladas. Outro agravante, lembrou Pih, é que a safra do Rio Grande do Sul teve problemas [ID:nN04498970], e pelo menos 300 mil toneladas do cereal gaúcho foi exportado.
"Com isso a importação (de origens fora do Mercosul) pode ser superior a 2 milhões de toneladas." [ID:nN07286557]
APERTO NAS MARGENS
De acordo com o industrial, o aperto na oferta de trigo no Brasil ocorrerá entre maio e julho, um período em que ainda não há disponibilidade safra nova dos Estados Unidos, que poderia aliviar a situação, apesar de todos os custos adicionais para se importar o cereal fora do Mercosul.
"Isso agrava o cenário de ter que importar 2 milhões. Isso traz preocupação", disse ele, observando que o cereal dos EUA custa hoje em torno de 360-370 dólares por tonelada (FOB, no Golfo do México), sem falar do frete para Santos, de 86-95 dólares, mais tarifa de importação de 39 dólares, além de 22,5 dólares de taxa de Marinha Mercante.
Apesar de considerar provável, diante do aumento de custos com o trigo um repasse para o preço da farinha, Pih disse que os moinhos, de outro lado, enfrentam a concorrência da entrada da farinha argentina mais barata.
"Os moinhos argentinos pagam 180 dólares (por tonelada) pelo trigo, e para gente custa 310", afirmou ele, lembrando da política argentina que prevê preços diferenciados para locais.
"A competitividade da farinha deles aumenta muito. Acho que vai entrar 1 milhão de toneladas de farinha ano que vem no Brasil, contra 700 mil este ano, e 300 mil no ano passado", comentou, apontando o problema que torna mais difícil o repasse e a recuperação de margens em um mercado competitivo.
"Nunca vi uma situação dessa, juntou vários problemas, frete com custo astronômico, baixa oferta de trigo no mundo, preços altos, problemas de safra no Brasil, geada na Argentina, problemas relacionados a registros de exportação (na Argentina)", disse Lawrence Pih, em entrevista à Reuters por telefone.
Nesta semana, o governo da Argentina ampliou a suspensão temporária para a emissão de registros de exportação [ID:nN04481719], causando ainda mais preocupações para o setor, que está assustado com a possibilidade de ter que comprar milhões de toneladas do grão fora do Mercosul, pagando taxas e fretes mais elevados, além do custo maior do produto.
O Pacífico, com capacidade de moer cerca de 900 mil toneladas por ano, importa boa parte do produto da Argentina. E, apesar de dispor de logística privilegiada por estar contíguo ao porto de Santos, onde a mercadoria importada chega, Pih prevê problemas.
"Tem diversos: o primeiro é se a Argentina vai conseguir embarcar até o final de fevereiro (já há registros de exportação para 7 milhões de toneladas, e esse volume teria de ser embarcado em três meses, de acordo com a nova regra). É saber se vai conseguir embarcar por causa dos fretes", afirmou ele, lembrando que os custos do transporte triplicaram ante 2006 e poderiam inviabilizar os embarques. [ID:nN30535728]
O frete da Argentina para Santos está em torno de 45 dólares/tonelada.
Pelas contas do presidente do Pacífico, a Argentina já negociou 6 milhões de toneladas das 7 milhões registradas. E a segunda preocupação de Pih, não menos grave, tem justamente a ver com a disponibilidade de trigo.
"Pelos meus cálculos, o Brasil comprou 2,5 dos 6 milhões já vendidos. E não vai conseguir comprar mais porque não tem espaço para armazenar (um volume maior em um período curto)."
Segundo ele, os moinhos do país pegarão pouco da diferença entre o que foi vendido e o que foi registrado também devido a outras nações buscarem o competitivo trigo argentino.
Além disso, o presidente do Pacífico disse trabalhar com quebra de safra argentina em função das geadas, o que aperta mais a oferta no país vizinho.
"Nesse cenário (considerando as exportações já feitas e o consumo argentino), eles têm mais 2,5 milhões para vender nesta safra. Agora, quando abrirem os registros novamente vai ter demanda por esses 2,5 milhões não só do Brasil, mas do mundo... Supondo que o Brasil consiga comprar mais 1,5 milhão do que sobrou, o país terá importado ao todo da Argentina 4 milhões de toneladas."
Isso significa, segundo Pih, que o Brasil precisará buscar mais grão fora do seu tradicional fornecedor, já que a demanda pelo importado do país é de ao menos 6 milhões de toneladas. Outro agravante, lembrou Pih, é que a safra do Rio Grande do Sul teve problemas [ID:nN04498970], e pelo menos 300 mil toneladas do cereal gaúcho foi exportado.
"Com isso a importação (de origens fora do Mercosul) pode ser superior a 2 milhões de toneladas." [ID:nN07286557]
APERTO NAS MARGENS
De acordo com o industrial, o aperto na oferta de trigo no Brasil ocorrerá entre maio e julho, um período em que ainda não há disponibilidade safra nova dos Estados Unidos, que poderia aliviar a situação, apesar de todos os custos adicionais para se importar o cereal fora do Mercosul.
"Isso agrava o cenário de ter que importar 2 milhões. Isso traz preocupação", disse ele, observando que o cereal dos EUA custa hoje em torno de 360-370 dólares por tonelada (FOB, no Golfo do México), sem falar do frete para Santos, de 86-95 dólares, mais tarifa de importação de 39 dólares, além de 22,5 dólares de taxa de Marinha Mercante.
Apesar de considerar provável, diante do aumento de custos com o trigo um repasse para o preço da farinha, Pih disse que os moinhos, de outro lado, enfrentam a concorrência da entrada da farinha argentina mais barata.
"Os moinhos argentinos pagam 180 dólares (por tonelada) pelo trigo, e para gente custa 310", afirmou ele, lembrando da política argentina que prevê preços diferenciados para locais.
"A competitividade da farinha deles aumenta muito. Acho que vai entrar 1 milhão de toneladas de farinha ano que vem no Brasil, contra 700 mil este ano, e 300 mil no ano passado", comentou, apontando o problema que torna mais difícil o repasse e a recuperação de margens em um mercado competitivo.
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