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sexta-feira, 5 de setembro de 2008, 17:06 | Online

Procurador conta versão de Robinho para sair do Real Madrid

Wagner Ribeiro disse que o próprio jogador se sentiu desvalorizado e resolveu sair da equipe espanhola

Fabrício Lima - estadao.com.br


Ricardo Moraes/AP

Robinho queria jogar no Chelsea, brigou com o Real Madrid e acertou com o inglês Manchester City

 

SÃO PAULO - O caso que mexeu com o futebol internacional nos últimos meses foi a negociação entre o craque brasileiro Robinho e seu antigo clube, o Real Madrid, da Espanha. Antes de se transferir para o Manchester City, Robinho e seu procurador, Wagner Ribeiro, travaram uma disputa com a diretoria do time espanhol: uma proposta do Chelsea mexeu com o brasileiro, enquanto o Real Madrid tentava de todas as formas envolver Robinho em uma troca com o Manchester United por Cristiano Ronaldo.

 

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Pelo menos são essas as palavras de Wagner Ribeiro na entrevista concedida ao programa de esportes da Jovem Pan online, veiculada na internet nesta sexta-feira. O procurador falou em nome de Robinho, contou toda a história da negociação que levou o brasileiro a não querer mais ficar no time espanhol e se transferir para o Manchester City, um time de menor expressão na Inglaterra, mas que pode crescer após ter sido comprado por um grupo de investidos dos Emirados Árabes.

 

O COMEÇO
Segundo o procurador, tudo começou em maio, quando tentou uma reunião para renovar por mais cinco anos o contrato com o Real Madrid. "A idéia do Robinho era jogar 10 anos no Real Madrid e depois voltar para o Brasil e terminar a carreira jogando no Santos", explicou. "No primeiro ano ele chegou como Pelé. No segundo, caiu por conta do período de adaptação. E agora no último ele teve o melhor ano jogando no Real Madrid."

 

Só que quando tentou a reunião com os dirigentes espanhóis, não conseguiu conversar. "Era início de maio, dia 8, e eles me mandaram voltar no dia 27. Fiquei na Europa até a data e quando tentei falar com eles pediram para que eu retornasse em julho, depois da final da Champions League", explicou o procurador.

 

O mês de julho chegou, o técnico Luis Felipe Scolari se transferiu para o Chelsea, e a vontade do time inglês, por pedido do novo técnico, era contar com Robinho para a temporada. "Fui então para Londres conversar com o Peter Kenyon [diretor de futebol do Chelsea] para traçarmos uma estratégia. Chamei os pais do Robinho e disse que o melhor lugar na Europa para se viver era Madri, e que o Robinho deveria ficar", disse.

 

A idéia, segundo Wagner Ribeiro, era usar a proposta do Chelsea para renovar o contrato de Robinho com o Real Madrid por cinco anos. "Quando fui procurar o Real, eles me disseram para voltar no dia 6 de setembro, quando a janela de transferência já estaria fechada. Levantei, disse que aquilo não iria ficar assim e fui embora", contou Wagner Ribeiro.

 

PROPOSTA DO CHELSEA
Foi então que o procurador deu a cartada. "Deixei vazar de propósito para a imprensa a proposta do Chelsea. A primeira foi verbal, a segunda foi subindo de 25 para 30 milhões de euros e a última, semana passada, 35 milhões [de euros]. Tinha de jogar de acordo das regras", garantiu.

 

O problema é que para Wagner Ribeiro e Robinho, o Real Madrid segurou a renovação do contrato porque queria usar o jogador como moeda de troca para ter Cristiano Ronaldo. "Eles seguraram o contrato até o Cristiano Ronaldo dizer que não sairia de forma alguma de Manchester", explicou. "O Robinho não gostou de ser tratado como moeda de troca."

 

Após isso, o Real Madrid começou a correr atrás para renovar com o Robinho. "Tive inúmeras reuniões, eles cobriram a proposta do Chelsea. Mas o problema é que o Robinho chegou para mim e disse que não queria ficar mais no Real Madrid. Disse que nem que pagassem o dobro ele iria continuar no time."

 

REUNIÃO NA CASA DO PRESIDENTE
O próximo passo foi uma reunião na casa do presidente do Real Madrid, Ramón Calderón. "Ele falou que o Robinho não sairia de jeito nenhum do clube, que não haveria dinheiro para isso. O Robinho disse pra ele 'presi, eu não quero ficar. Eu prefiro vender pastel na feira do que ficar no time'. Ele disse isso para o Calderón."

 

"A partir disso, depois que ele falou para o presidente e para a imprensa, todo mundo ficou contra ele", falou Wagner Ribeiro. "Ele continuou a bancar que não queria ficar e pensamos em ir para o artigo 17, mas não dava mais. Ele não se sentia mais valorizado no Real Madrid, ele se sentia menosprezado."

 

"Por que será que o Real Madrid só veio para cima de forma agressiva para renovar depois que o Cristiano Ronaldo disse que não iria sair de Manchester?", questionou o procurador de Robinho. "O orgulho dele [Robinho] foi ferido, e por isso não tinha dinheiro que fizesse ele ficar."

 

PRESSÃO DA TORCIDA E PASTEL NA FEIRA
A imprensa então flagrou o procurador saindo com Robinho e Peter Kenyon de um restaurante em Madri, às 3 da manhã. A imprensa fez um estardalhaço com a informação, o Chelsea em seguida colocou a camiseta do brasileiro à venda no seu site e a coisa degringolou. O negócio era que o problema não era mais dinheiro, mas sim a vontade do jogador sair do Real Madrid.

 

Segundo o procurador, o jogador brasileiro não tinha mais cabeça para atuar. "Cheguei então para a diretoria do Real e disse: 'ou você vende o Robinho por 35 milhões [de euros], como o Chelsea havia oferecido, ou vai ficar com um jogador aqui descontente e inútil para o time porque ele não tem cabeça'", falou o procurador. "Ele não vai ficar", garantiu.

 

O Robinho então convocou a segunda coletiva de imprensa para contar o que se passava. Nervoso, segundo o procurador, Robinho ainda ficou com medo dos torcedores que queriam ameaçá-lo. Teve até de passar pela torcida abaixado no carro, um esquema para fugir da pressão que a torcida do Real Madrid fazia em cima do jogador brasileiro.

 

"Ele então falou que não ficava mais, que iria embora, senão iria vender mesmo pastel na feira. Era a nossa última carta, o Robinho tem personalidade e sabe o que quer", falou Wagner Ribeiro. "Ficamos uma hora no quarto de um hotel esperando esvaziar a torcida depois da entrevista.

 

MANCHESTER CITY APARECE NA JOGADA
Depois a semana começou, no dia 1.º de setembro, o procurador ligou para Peter Kenyon, que disse estar otimista com a ida de Robinho para o Chelsea. Quando estava indo, já dentro do avião, para assinar com o Chelsea, Wagner Ribeiro recebeu uma mensagem para que fossem para o Santiago Bernabeu.

 

"Disse então para o Robinho que era jogador do Chelsea, comemoramos até. Quando chegamos lá, a imprensa perguntou sobre o negócio com o Manchester City. Eu disse que não. Faltavam 15 minutos para as 23h, e o Angel Sacnhez me perguntou: 'o Robinho jogaria no Manchester City?' Eu respondi que jogaria em qualquer lugar, menos no Real Madrid."

 

Depois disso, entraram na sala os dirigentes do Real Madrid avisando que o Robinho iria para o Real Madrid. "Enquanto isso, o Peter Kenyon me ligava desesperadamente para saber. Mas eu já tinha certeza de que o Chelsea e o Real Madrid não chegariam mais aos 40 milhões [de euros]. E foi ai que deu o Manchester City. Depois veio ainda a surpresa maravilhosa de conhecer o projeto deles."

 


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