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sábado, 11 de outubro de 2008, 16:25 | Online
Domenicali, o homem que responde pelos erros da Ferrari
Jovem diretor-esportivo da escuderia italiana afirma que não é fácil lidar com tanta pressão na equipe
Livio Oricchio - O Estado de S.Paulo

Mas Massa, honestamente, se inclui dentre os que erraram no time. Um dirigente, em especial, responde por quase tudo na Ferrari: o engenheiro Stefano Domenicali. "Pouca gente sabe como é difícil me encontrar com o nosso presidente (Luca di Montezemolo), segunda-feira, e ter de explicar situações de desgaste como a de Cingapura", diz.
Domenicali conversa com os jornalistas como se fossem velhos amigos. Não impõe as barreiras costumeiras da Fórmula 1, em cujos meandros se escondem incapacidade e insegurança, por exemplo, presente em vários desses profissionais. E tem uma sinceridade desarmante. Responde a perguntas duras sem se esquivar ou não assumir responsabilidades pelo que ocorre na Ferrari. Talvez represente um dirigente do futuro, já que a Fórmula 1 terá de rever a curto prazo sua política de criar supostos super-homens.
"O que mais aprendi nessas 15 corridas que sou diretor-esportivo? Eu tinha apenas idéia das pressões do cargo. Hoje eu a sinto diretamente. É muito mais da que poderia imaginar", explica Domenicali. A pergunta é forte: a Fórmula 1 o reconhece como um dirigente bastante promissor, mas muito jovem para dirigir uma equipe tão complexa como a Ferrari. E parte dos problemas da escuderia, este ano, decorreria dessa inexperiência. "O que eu devo responder? Cada um tem sua opinião. Não vejo assim", declara.
"Cresci aqui dentro, conheço cada setor da organização. O que acontece é que nessa função uma hora você é herói e uma hora depois, vilão. Quanto aos erros no nosso grupo, a saída é não condenar os responsáveis, mas apoiá-los. Eles existem desde a época de Michael Schumacher, é só confrontar as estatísticas." Como lida com profissionais altamente especializados e bem treinados, oferecê-los condições de realizar com mais calma seu trabalho só irá aumentar seu desempenho. "Essa política reforça a necessidade de o grupo compreender que todos podem crescer aqui dentro, como é o meu próprio caso."
A convivência com Jean Todt por tantos anos lhe foi muito útil. "Vi como sempre mantém o foco nos seus objetivos, mantém a calma, dedica atenção a todo e qualquer detalhe, nunca desiste do que planeja e os interesses da equipe estão acima de quaisquer outros." Mas seu toque pessoal na administração já é possível perceber, segundo descreve: "Tenho grau de atenção semelhante às mais distintas funções na organização", afirma Domenicali, que não esconde sentir orgulho de, aos 43 anos, ser um dos diretores-esportivos mais jovens da Ferrari.
FELIPE MASSA
A temporada de Massa é "incrível", segundo Domenicali. "É impressionante o que esse rapaz aprendeu, como desenvolveu a capacidade de ler o que está ao seu redor, evolução notável." Massa representa um bom exemplo, também, da sua política de apoiar integrantes que se equivocam.
"Imagine se depois dos erros que cometeu nas duas primeiras corridas tivéssemos reagido de forma drástica com ele, não teríamos hoje o piloto excepcional que é." Já Raikkonen ainda exige cuidados: "O considero um piloto completo. Mas não atravessa bom momento. Cabe a mim tentar compreendê-lo, o que não é fácil pela sua forma bastante distinta de se comunicar se comparado com nós latinos, como Felipe."
Não se pode explicar o que se passa com Raikkonen recorrendo a apenas um fator, de acordo com Domenicali. "Às vezes pode acontecer de o piloto perder um pouco o foco, sua vida pessoal muda, as reações do carro passam a ser outras, tudo interfere."
Mas faz uma ressalva: "Kimi fez a maior parte das melhores voltas nas corridas este ano, o que prova não ter perdido velocidade, o mais importante. O restante vamos trabalhar para que ele o resgate." Foi a manutenção do foco, como faz agora com seu piloto, que levou a Ferrari, lembra Domenicali, ao sucesso de 2007: "Não foi por outra razão que fomos campeões na última etapa do Mundial, como esperamos comemorar agora de novo".
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