Vôlei
quinta-feira, 16 de agosto de 2007, 19:48 | Online
Jogadores admitem que corte de Ricardinho dividiu o grupo
Em entrevista coletiva, time assume desconforto com declarações polêmicas do levantador contra Bernardinho
Bruno Lousada, do Estadão
"A gente não esperava que esse corte fosse tomar uma dimensão tão grande. Ficamos sentidos por ele (Ricardinho), mas apoiamos a decisão do técnico (Bernardinho). Porém, estamos muito divididos", admitiu Gustavo.
Num primeiro momento, somente o atacante Giba falaria sobre o caso Ricardinho na entrevista coletiva desta quinta-feira. Por determinação da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV), ele faria apenas um rápido pronunciamento e não responderia a nenhuma pergunta em relação ao assunto. Mas os jornalistas presentes reclamaram do procedimento, que acabou sendo revisto.
Assim, André Heller, Dante, Serginho, Gustavo, Giba, Anderson, Marcelinho, André Nascimento e Rodrigão participaram da entrevista coletiva. Eles estão treinando em Saquarema para a disputa do Campeonato Sul-Americano, que acontecerá no começo de setembro, no Chile - enquanto isso, o técnico Bernardinho, com uma seleção renovada, participa da Copa América, em Manaus.
Giba e Gustavo falaram bastante durante a entrevista coletiva. E o levantador Marcelinho ainda deu algumas declarações sobre a responsabilidade de assumir o posto de Ricardinho na equipe. Os demais jogadores se calaram. "A família Bernardinho não acabou", garantiu Gustavo, num recado para Ricardinho, que disse o contrário durante uma entrevista na última terça-feira.
Amigo de Ricardinho, com que já falou várias vezes por telefone após o corte no Pan, Giba estava visivelmente nervoso durante a entrevista desta quinta-feira. Mas negou qualquer problema de premiação para explicar o afastamento do levantador. "Tudo em relação a dinheiro é discutido no início do ano, antes de qualquer competição", explicou.
Sobre o fato de o Ricardinho ter quebrado o pacto de seguir jogando com ele na seleção até a Olimpíada de Pequim, em 2008, Giba respondeu: "Não acredito nisso. Ele está chateado, de cabeça quente e vem sendo mal assessorado."
Giba, no entanto, demonstrou arrependimento por ter deixado Ricardinho sair da sala após a reunião com Bernardinho, na qual foi comunicado o corte do levantador. "Hoje, tomaríamos uma posição diferente", admitiu.
Ele também lembrou que Bernardinho chegou a questionar se tinha sido a hora certa para cortar Ricardinho - segundo Giba, o treinador ficou três noites sem dormir por conta do episódio. "Até hoje ninguém soube responder se foi o momento correto ou não para cortá-lo. A gente ainda está em dúvida sobre isso, mas apóia a decisão do técnico e sente falta do Ricardinho", avisou Gustavo.
Depoimento
Mesmo em Manaus, Bernardinho também participou da entrevista coletiva em Saquarema. Através de uma mensagem exibida num laptop, o treinador lamentou o fato de Ricardinho ter renegado a "família" que ele próprio ajudou a construir.
"Estou desiludido. Qualquer passo para a reconciliação será sempre bem vindo. Mas é difícil a aproximação de uma pessoa que diz que tudo foi planejado", disse Bernardinho.
Drama
De qualquer maneira, a seleção exige uma rápida definição sobre o caso. Seja pela retorno de Ricardinho ou pelo seu corte definitivo. Os jogadores já dão sinais de que não agüentam mais o desgaste causado pelo episódio. E temem que isso atrapalhe o time nas próximas competições.
"A gente quer colocar um ponto final nisso aí", afirmou Giba. O grupo até sugeriu fazer uma reunião em breve, com a presença de Ricardinho e Bernardinho, para tentar resolver de vez o problema. E, quem sabe, acabar com a divisão na seleção.
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