Futebol

sexta-feira, 2 de novembro de 2007, 09:34 | Online

Pressão da CBF dá certo e CPI Corinthians/MSI começa a cair

Ao todo, 71 deputados e três senadores recuam no apoio à investigação sobre a parceria do clube paulista

Martín Fernandez - do Estadão

Com Copa garantida, Ricardo Teixeira ganha força política e prestígio de políticos

Arquivo/AE

Com Copa garantida, Ricardo Teixeira ganha força política e prestígio de políticos

SÃO PAULO - A pressão da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) contra a criação de uma CPI mista para investigar Corinthians e MSI deu certo. Na quinta-feira, 75 deputados federais e três senadores - Cícero de Lucena Filho (PSDB-PB), Flexa Ribeiro (PSDB-PA) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) - retiraram assinaturas do pedido de criação da comissão.

 

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O requerimento foi protocolado pelo deputado federal Silvio Torres (PSDB-SP) e pelo senador Alvaro Dias (PDT-PR) na terça-feira, mesmo dia em que o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014.

 

Para que a comissão seja instalada, é preciso que o requerimento seja lido em sessão conjunta do Senado e da Câmara dos Deputados, a ser realizada quarta-feira. E no mínimo 171 deputados e 27 senadores necessitam manter suas assinaturas.

 

Até terça-feira, Torres e Dias contavam 209 e 38, respectivamente. Depois que a CBF começou a pressionar governadores e lideranças estaduais no Congresso, esses números começaram a cair. Os deputados e senadores que querem partidas da Copa de 2014 em seus estados devem ser contra a CPI.

 

O senador Garibaldi Alves Filho confirmou ao Estado que retirou sua assinatura a pedido da CBF. “Um funcionário da confederação me disse que Ricardo Teixeira estava preocupado, então resolvi apoiá-los”, disse. “Fiquei sensibilizado.”

 

Flexa Ribeiro e Cícero de Lucena Filho também firmaram o requerimento - suas assinaturas são as de número 4 e 6, respectivamente - e depois mudaram de opinião. Ambos foram procurados pela reportagem, mas não responderam os recados deixados com assessores.

 

Apesar das deserções, Alvaro Dias diz que é possível manter a CPI no Senado. “Temos uma boa margem de segurança. E já fui procurado por colegas que, apesar de terem sido pressionados, garantiram apoio à investigação”, disse o senador. “A situação está mais complicada na Câmara.”

 

ATAQUE INÉDITO

 

Nesta quinta-feira, 75 deputados retiraram suas assinaturas, o que praticamente inviabilizaria a instalação da CPI mista. “Nem o presidente Lula, quando tentou barrar a CPI dos Correios, conseguiu tamanho apoio”, comentou Silvio Torres, assustado com o poder de Ricardo Teixeira no Câmara dos Deputados.


Como o Estado mostrou ontem, a CBF investiu oficialmente R$ 2 milhões (R$ 2,5 milhões em valores corrigidos) no financiamento de candidatos nas eleições de 2002, 2004 e 2006.

 

“É a primeira vez que eu vejo uma ação tão forte de alguma entidade que não seja o governo”, declarou Torres, que já começa a armar um contra-ataque. “Vou falar novamente com os que mudaram de opinião e também tentar convencer aqueles que não assinaram na primeira vez”, emendou.

 

Ainda segundo Torres, foram poucos os parlamentares que justificaram a mudança de atitude. “Foram só dois ou três, e disseram que haviam sido convencidos pelos governadores de seus estados.”

 

Na última terça-feira, 12 governadores estavam em Zurique, na Suíça, onde o Brasil foi anunciado como sede da Copa do Mundo de 2014. A intenção era fazer lobby para levar jogos da Copa para seus estados - a maioria viajou com despesas pagas pela CBF.

 

A CPI mista tem como objetivo principal apurar lavagem de dinheiro e outros crimes na parceria Corinthians-MSI. Mas nada impede que as investigações sejam ampliadas para outros clubes e federações.


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