Futebol
quinta-feira, 15 de novembro de 2007, 09:52 | Online
Cai a poderosa neta do ex-presidente Alberto Dualib
Atual administração do Corinthians interrompe pagamentos que eram feitos à empresa de Carla Dualib
Martín Fernandez, do Estadão
O dinheiro é referente a comissões por contratos acordados entre o clube e outras empresas, intermediados pela SMA. A agência de Carla conseguiu manter o recebimento das comissões após o fim de seu relacionamento legal com o clube porque havia assinado contrato específico com as empresas que levou para o Corinthians.
Nesta semana, a SMA foi notificada extrajudicialmente. As comissões não mais serão depositadas na conta da empresa e sim na do Corinthians. Caso a medida não fosse tomada, a empresa da neta de Alberto Dualib ainda receberia mais R$ 370 mil, até que se encerrassem os contratos individuais que fez com os licenciados.
"Também notificamos os licenciados, para que façam os depósitos na conta do Corinthians", informa o vice-presidente para assuntos jurídicos do clube, Sergio Alvarenga, que não deu detalhes do contrato.
A diretoria alega que a SMA "abandonou a manutenção dos contratos de licenciamento, franquia e patrocínio" e que, por isso, não deve mais receber as comissões. Além disso, vários contratos que rendiam comissões à agência foram assinados após o fim do vínculo entre Corinthians e SMA.
Carla Dualib não foi encontrada para comentar o caso. O Estado telefonou seguidas vezes para os três telefones da empresa - ninguém atendeu. O celular da publicitária estava desligado e sem possibilidade de receber mensagens de voz. A reportagem também tentou contato via e-mail, que não foi respondido. No site da SMA, o Corinthians ainda aparece como cliente da agência. A última notícia no site é de maio de 2006.
Caso de Polícia
O contrato entre Corinthians e SMA foi assinado em 12 de fevereiro de 2003. E encerrado exatamente três anos depois. Foi firmado por Alberto Dualib, então presidente, e sua neta, que usou o nome Carla D. Sonnewend, na intenção de não vincular seu nome ao do avô.
O acordo é objeto de investigação da Polícia Civil de São Paulo, à qual o Estado teve acesso. O contrato é classificado como "fora dos padrões do mercado publicitário, com todas as despesas da empresa pagas e reembolsadas pelo clube."
O inquérito aponta ainda que, "além de neta do presidente, é conselheira vitalícia do clube, comprovando-se mais uma vez que existem negócios entre conselheiros e o Corinthians."
O contrato, de 12 de fevereiro de 2003, tem nove páginas. Três delas são preenchidas com "obrigações do Corinthians". Entre essas obrigações estão o pagamento de "passagens aéreas, hospedagens, combustível, alimentação e transporte terrestre" de funcionários da SMA.
As "obrigações da empresa" são resumidas em três itens: informar o clube das negociações, não fechar negócios sem consultar a diretoria e pagar o salário de seus profissionais. Menos de meia página.
O acordo prevê ainda o pagamento de R$ 38 mil mensais para a SMA, mais comissões por negócios fechados, que variam entre 10% e 15%. "Percentuais superiores aos que o mercado estabelece", diz o inquérito.
Só de pagamento fixo e mensal, a empresa de Carla faturou R$ 1,36 milhão em três anos. Estima-se que as comissões tenham rendido outros R$ 5 milhões à SMA.
O contrato foi encerrado em 12 de fevereiro de 2006, por causa das desavenças entre a cúpula da MSI, que se tornara parceira do Corinthians no fim de 2004, e Alberto Dualib.
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