Quarta-feira, 30 de julho de 2008, 12:56 | Online
COI admite trato com China sobre censura na Internet nos Jogos
Acesso a sites considerados 'polêmicos' foram bloqueados; governo alega que eles não têm relação com esporte
Nick Mulvenney - Reuters
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"Eu devo comunicar agora que algumas das autoridades do COI negociaram com os chineses o fato de que certos sites polêmicos seriam bloqueados com base no argumento de que não teriam relação com os Jogos", afirmou o australiano.
A China comprometeu-se a dar aos meios de comunicação tanta liberdade para trabalharem quanto tiveram em edições anteriores das Olimpíadas. Em janeiro de 2007, o país deixou de controlar com tanta intensidade os jornalistas estrangeiros presentes em seu território.
No entanto, as tentativas de usar o principal centro de imprensa para, por exemplo, acessar o site da Anistia Internacional, que divulgou na segunda-feira um relatório criticando a China por não cumprir suas promessas de respeito aos direitos humanos durante os Jogos Olímpicos, continuavam a ser realizadas em vão na quarta-feira.
Outros sites, em especial os relacionados com a seita espiritual Falun Gong, banida na China, tampouco estavam liberados.
'QUESTÕES POLÊMICAS'
"Eu lamento agora o fato de o Bocog (comitê organizados do evento) ter anunciado que imporá limitações quanto ao acesso à Internet durante os Jogos e, apesar de compreender que as questões polêmicas sem relação com os Jogos continuam a ser da alçada dos chineses, acredito que o Bocog e o COI deveriam ter, anteriormente, divulgado uma mensagem mais clara aos meios de comunicação internacionais a respeito do tipo de acesso à Internet".
O órgão chinês afirmou que a censura não impediria os jornalistas de cumprirem sua missão de cobrir os Jogos.
"Vamos nos esforçar ao máximo para permitir que os jornalistas estrangeiros realizem seu trabalho de reportagem por meio da Internet", afirmou em uma entrevista coletiva Sun Weide, porta-voz do Bocog.
Não obstante as novas regulamentações, os jornalistas estrangeiros presentes na China continuam reclamando de pressões feitas por autoridades. E o grupo Human Rights Watch divulgou um relatório no começo desta semana acusando o país asiático de não cumprir suas obrigações.
Liu Binjie, chefe do Ministério para Imprensa e Publicações da China, afirmou à agência de notícias Xinhua, na quarta-feira, que tais críticas retratavam o país com "estereótipos construídos a partir de boatos e por meio de uma mentalidade preconceituosa, ignorando a realidade dos fatos."
(Reportagem adicional de Paul Radford e Liu Zhen)
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