Quarta-Feira, 05 de Setembro de 2007 | Versão Impressa
Liminares mantêm vans fantasmas
SPTrans apura esquema de peruas irregulares; 150 carros circulam fora das linhas e não aceitam bilhete único
Alexssander Soares e Bruno Tavares
As liminares foram obtidas por três associações de perueiros, que não conseguiram habilitação na licitação feita pela gestão Marta Suplicy (PT) em 2003. A Associação dos Transportadores em Autolotação do Estado de São Paulo (Assesp), a Associação Brasileira dos Condutores de Veículos (Abracov) e a Microluxo patrocinam as ações judiciais dos perueiros contra a Prefeitura e contra as cooperativas credenciadas na licitação de 2003. Com a liminar, o dono do lotação escolhe a região em que vai operar, já que a São Paulo Transportes (SPTrans) não reconhece sua habilitação.
A Comissão Antifraude da SPTrans investiga denúncias de que essas associações cobram para repassar as liminares a terceiros. No ano passado, o departamento jurídico do órgão derrubou diversas liminares que autorizavam um motorista substituto a dirigir o lotação. A suspeita era de que os titulares da linha vendiam ou alugavam liminares para esses substitutos, que, na prática, se tornavam os únicos motoristas. As associações também são suspeitas de intermediar o pagamento de R$ 13 mil do interessado em operar a linha para o perueiro titular da vaga, além de aluguel mensal de R$ 1 mil.
As cooperativas vencedoras da licitação de 2003 também travam uma disputa jurídica contra os lotações. As associações conquistam liminares para garantir o retorno dos perueiros ao quadro das cooperativas. Depois, o perueiro argumenta que seu lotação não é aceito pela cooperativa e ele passa a operar com o brasão das associações nas linhas paralelas.
"Os beneficiados com as liminares usam artifícios na Justiça para comprovar que são donos dos veículos e que têm condições técnicas para passar na fiscalização", explica o advogado da Transcooper, Bension Coslovsky. Maior cooperativa da cidade, a Transcooper ingressou com mais de 15 ações contra os perueiros. O Estado acompanhou lotações da Abracov. Na linha Pedra Branca-Largo do Paiçandu, por exemplo, além das irregularidades técnicas dos veículos, não existe identificação nos pontos finais.