Segunda-Feira, 10 de Setembro de 2007 | Versão Impressa
Mulheres das classes C e D terão academia
Rede Curves vai inaugurar unidade com mensalidade mais barata
Ana Paula Lacerda
A idéia surgiu de uma conversa entre o master franqueado da Curves no Brasil, François Engelmajer, e o fundador da rede americana, Gary Heavin. "Queremos que essa nova unidade seja um teste, pois há anos penso em abrir unidades na Índia, na China e na Rússia", diz Heavin. "Porém, o modelo tradicional seria voltado para as elites naqueles países, e eu pretendo fazer uma academia acessível ao maior número possível de mulheres."
Uma franquia da Curves no Brasil tem valor inicial de R$ 50 mil (sem custos de montagem da academia) e mensalidade média de R$ 100. A idéia é vender a marca a partir de R$ 35 mil com mensalidades bem abaixo de R$ 100. "Não temos o valor fechado. Mas queremos que caiba no bolso das classes que têm menos acesso a lazer e boa alimentação." Ele afirma que esse poderá ser o próximo grande salto da Curves. "Metade do mundo está nas classes C e D."
A Curves é a maior franquia na área de ginástica do mundo. São 10.269 academias em 61 países, com um faturamento de US$ 1 bilhão anual. "Minha meta é alcançar o McDonald´ s", diz Heavin. A rede de fast-food tem 31 mil lojas no planeta.
Para o Brasil, a meta é chegar a 400 unidades em mais 3 anos. "A operação brasileira é uma das mais rentáveis ao redor do globo", diz o CEO. "Apesar da burocracia do País, as brasileiras são muito sociáveis, e isso contribui para a expansão do negócio." A exclusividade para mulheres se explica. "Vimos que as mulheres eram clientes que compareciam mais e em geral exigiam aparelhos menos complexos." Segundo ele, a ausência masculina acaba com uma das maiores barreiras do negócio. "Elas não ficam inibidas para fazer os exercícios, vão à academia à vontade. Não há coelhinhas de borracha na Curves."
CONTOURS
Cassiano Ximenes, master franqueado da rede Contours, principal concorrente da Curves no País, diz que o modelo faz sucesso também porque cada vez mais as mulheres precisam de um sistema rápido e aconchegante para fazer exercícios. "Ela não quer usar um aparelho que ficou todo suado depois que um homem usou. E quer atendimento diferenciado, com um professor que a acompanhe."
A Contours tem 60 unidades no Brasil. Foi criada nos Estados Unidos, em 1998, e tem cerca de 700 unidades em 26 países. "No Brasil, o conceito de academia para mulheres ainda é pouco conhecido e tem muito espaço para crescer", diz Cassiano. Uma pesquisa realizada pela Contours no país mostrou que menos de 10% dos pesquisados conheciam academias desse tipo. "Acredito que nós e as outras empresas com esse foco ainda temos muito espaço para crescer."
Há cerca de 7 mil academias no País, que faturam em torno de R$ 2 bilhões por ano. Mas um estudo do Instituto do Câncer de Curitiba mostrou que 40% dos brasileiros não fazem a quantidade mínima de exercícios para sair do sedentarismo: 30 minutos de atividade, três vezes por semana.
A motivação para Heavin criar uma academia de ginástica foi uma tragédia - agravada pelo sedentarismo. "Quando eu tinha 13 anos, minha mãe morreu de pressão alta", conta. "Pesquisei e descobri que pessoas que faziam exercício e se alimentavam bem não tinham pressão alta. Coloquei na cabeça que, se minha mãe soubesse disso, não teria morrido."
A Curves estuda fazer parceria no Brasil com alguma empresa de seguro-saúde, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos e na África do Sul. "Alguns seguros-saúde americanos bancam a mensalidade da Curves para seus clientes. Eles afirmam que, para cada US$ 1 gasto na academia, eles economizam US$ 5 em tratamentos", diz o CEO.
NÚMEROS
208
é o número de academias da rede Curves em operação no Brasil
7 mil
é o número de academias em operação no Brasil
R$ 2 bilhões
é o quanto faturam as academias no País
R$ 50 mil
é o valor pago para ser franqueado da Curves
R$ 35 mil
é a partir de quanto custará a franquia destinada às classes C e D