Domingo, 07 de Outubro de 2007 | Versão Impressa

Para poder viajar, poodle é ''''naturalizado'''' argentino

A recusa de países como a Austrália em aceitar animais brasileiros, por causa de o País ainda não ter controlado a raiva, obriga proprietários de cães e gatos a buscar alternativas extravagantes. A solução encontrada pelo empresário Luis Fernando Oliveira, de 21 anos, para enviar um poodle a terras australianas foi naturalizá-lo argentino e enviá-lo para Buenos Aires.

O poodle ainda está na capital portenha. Isso porque a Austrália exige quarentena de 180 dias, contados após o exame de sangue, antes da viagem. "Algumas raças nem são aceitas, como o dog argentino ou o fila brasileiro", explica Oliveira, que montou empresa, há seis meses, que cuida da documentação de animais para viagem.

O poodle é um dos cinco clientes mensais que ele atende na Doc-Dog. Há países, conta, para os quais é necessário fazer quarentena na cidade de destino, como, por exemplo, a Inglaterra. "O cão ou o gato fica em um canil público", diz.

Tudo por causa da raiva, uma doença que, quando começa a apresentar sintomas na pessoa ou no animal, o paciente está em fase terminal. Segundo Neide Takaoka, do Instituto Pasteur, o último caso de raiva em seres humanos no Brasil, com vírus de variante canina, ocorreu em 1997. Em 2001, foi registrado caso com variante de morcego. "No Sudeste, já controlamos a situação, mas no Nordeste, ainda não", afirma.

Enquanto o controle não vem, a Doc-Dog prospera. O Japão, por exemplo, só aceita exames realizados em laboratórios japoneses. "Quem muda de país e é apegado ao animal, não vai abrir mão de levá-lo. Ainda bem que o dono do poodle tem amigo na Argentina. Caso contrário, ele teria de ficar em hotelzinho."