Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007 | Versão Impressa
Acusado de achaque a padre negociava carros de luxo
Suspeito que teria ameaçado Júlio Lancelotti por 3 anos também arrendava pensão com 27 quartos
Bruno Paes Manso
Ambos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça ontem, assim como Everson dos Santos Guimarães e Evandro dos Santos Guimarães, que também participariam do esquema de achaque. O padre Júlio informou que a 5ª Seccional se colocou à disposição dele e ofereceu proteção policial. O religioso estudava a proposta.
Contra Batista existe ainda um inquérito por suspeitas de enriquecimento ilícito. Em meados do ano passado, Conceição havia acusado o namorado de agredi-la. Pouco depois, retirou a queixa. Um inquérito foi aberto contra ela por denúncia caluniosa. "Foi nessa época que começamos a receber denúncias anônimas de que o casal vinha adquirindo bens que aparentemente não condiziam com o ganho deles", explicou o delegado André Luiz Pimentel, chefe do Setor de Investigações Leste. Em depoimento no dia 21 de janeiro, Batista disse à polícia que arrendava uma pensão de 27 quartos por 2 mil reais e cada hóspede pagava entre R$ 150 e R$ 300 mensais por quarto.
Batista também negociava automóveis. Em agosto de 2004, comprou um Astra quatro portas. Em troca, deu um Nissan de sua propriedade e ainda recebeu R$ 20 mil. Segundo seu depoimento, em setembro de 2006, trocou o Astra por um Audi e deu R$ 20 mil na troca. Ele afirmou que o Astra não tinha seguro e foi roubado em novembro do ano passado. Logo depois, comprou um Meriva prata 2003 por R$ 35 mil. Disse que pagou R$ 10 mil, mas desfez o negócio uma semana depois. Restou somente a Pajero prata 2004, que Batista comprou por R$ 65 mil com um financiamento em nome de sua namorada. Um total de 20 das 30 prestações de R$ 2.200 foram pagas pelo padre Júlio Lancellotti.
Anderson também havia comprado um imóvel em 2004 por R$ 35 mil na zona leste e gastou R$ 15 mil em reformas. Também disse que no emprego na entidade Casa Pastoral Bom Parto, que obteve com ajuda do padre, recebia R$ 200 por mês.
O advogado de Batista, Nelson Bernardo da Costa, afirmou não saber a localização de seu cliente, mas garantiu que ele comparecerá em breve para apresentar sua versão. Costa não sabia das negociações de seu cliente com automóveis.
APOIO
O arcebispo d. Odilo Scherer, nomeado ontem cardeal, disse que o padre Júlio continuará tendo seu apoio para o trabalho pastoral. "É fácil levantar acusação de pedofilia porque está na moda fazer isso para obter indenizações, mas não existe nada contra ele", afirmou d. Odilo. Preocupado com a segurança do religioso, o arcebispo disse esperar que a polícia "faça o seu trabalho para esclarecer o que ocorreu".
Ontem à tarde, durante missa em homenagem a d. Odilo, padre Julio esteve no altar com cerca de 30 bispos auxiliares e outros religiosos. Seu nome não foi mencionado na missa. Após o evento, o padre relatou ter recebido telefonemas de apoio, entre eles o do chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. E afirmou que o episódio lhe ensinou lições. "Não há amor sem dor e as pessoas não são como nós queremos." COLABOROU JOSÉ MARIA MAYRINK