Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007 | Versão Impressa
Congonhas: governo revê regras e pista fica maior
Nas decolagens, pista auxiliar terá mais 120 metros, que haviam sido transformados em área de escape após o acidente com Airbus da TAM
Bruno Tavares
Desde que as pistas foram encurtadas, em 15 de setembro, apenas 10% das aeronaves que costumam operar em Congonhas tinham condições de utilizar a pista auxiliar, o que, segundo fontes militares, contribuía para as longas filas de aviões nas pistas de taxiamento. "Com essa modificação, será possível dividir melhor o fluxo do aeroporto", avalia o tenente-coronel Delany Lopes, chefe de Operações em Congonhas. "Enquanto estivermos aproximando um avião para pouso na pista principal, por exemplo, será possível alinhar outra aeronave na pista auxiliar. O ganho é de alguns segundos, mas num aeroporto com movimento intenso isso é crucial."
Quando anunciou a adoção de áreas de escape em Congonhas, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, determinou uma redução de 120 metros em cada uma das cabeceiras da pista auxiliar e de 150 metros na pista principal. Para especialistas em aviação, no entanto, a medida era tecnicamente equivocada, já que não haveria necessidade de uma área de escape na traseira do avião no momento da decolagem. De certa forma, a decisão dos técnicos do governo "corrige" a configuração anterior. Nos procedimentos de pouso, a pista auxiliar continuará operando com o comprimento atual (1.195 metros), ou seja, com 120 metros a menos em cada cabeceira. Por enquanto, a pista principal, de 1.640 metros de extensão, não sofrerá modificações. Apesar de parecer insignificante, o ganho de 120 metros permitirá que mais aeronaves tenham condições de decolar na pista auxiliar e carreguem mais peso - seja em carga, quantidade de combustível ou passageiros.
O diretor-executivo da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag), Adalberto Febeliano da Costa, comemorou a decisão. "Do jeito que estava, só os aviões a hélice usavam a pista auxiliar." Ele rebateu, porém, a alegação de militares e empresas aéreas de que a utilização da pista principal pela aviação geral ajudava a agravar a situação de Congonhas. "É bobagem", reagiu. "Os fatores limitantes do aeroporto são terminal de passageiros, circulação de aeronaves e pátio. Não usamos nada disso. É injusto quererem nos responsabilizar."
Além das mudanças na área de escape, Congonhas voltará a ter o status de aeroporto "monitorado" e não mais "coordenado". Sendo assim, a aviação geral não será mais obrigada a solicitar slots (autorizações de pouso ou decolagem) com antecedência. As novas medidas entram em vigor a partir da publicação de uma notificação técnica (Notam), prevista para hoje.