Quinta-Feira, 18 de Outubro de 2007 | Versão Impressa

Copom encerra 2 anos de queda da taxa Selic

Por unanimidade, BC decide manter juros em 11,25% ao ano, sem viés, e no comunicado fala em ?pausa? na flexibilização da política monetária

Renée Pereira e Gustavo Freire

O maior ciclo de queda da taxa básica de juros (Selic) foi interrompido ontem depois de dois anos. Por unanimidade, o Comitê de Política Monetária (Copom) optou pela cautela e manteve o atual nível da taxa Selic, em 11,25% ao ano, sem viés (tendência). No total, foram 18 cortes consecutivos desde setembro de 2005, que somaram 8,5 pontos porcentuais, e tiraram o País da liderança do ranking dos maiores juros reais (descontada a inflação) do mundo e o deixaram no segundo lugar. Hoje essa taxa está em 7%, nível ainda muito elevado.

link Veja a evolução da taxa Selic

No breve comunicado após a reunião, os dirigentes do Banco Central (BC), que integram o Copom, explicaram o motivo da paralisação: "Avaliando a conjuntura macroeconômica, o Copom decidiu por unanimidade fazer uma pausa no processo de flexibilização da política monetária e manter a taxa Selic em 11,25% ao ano, sem viés." A ata desse encontro, o penúltimo do ano, será divulgado na quinta-feira da semana que vem. Só aí os economistas poderão ter uma idéia dos rumos da política monetária nacional. Mas poucos esperam que haja novo corte em breve.

A decisão de ontem já havia sido sinalizada na reunião de setembro, quando o Copom reduziu o corte de 0,5 para 0,25 ponto porcentual por unanimidade. Na época, os dirigentes do BC já mostravam alguma preocupação com a alta da inflação e o ritmo mais acelerado da atividade econômica, conforme explicou na ata dessa reunião. Mas na última semana, com a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro, muitas previsões foram refeitas. Afinal, a inflação e não estava tão em alta como se temia.

Foi o suficiente para analistas acreditarem em novo corte de 0,25 ponto porcentual. A aposta, porém, foi frustrada. O economista da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa, era um dos que acreditavam em redução da Selic ontem. "Apesar de achar que podia ter um novo corte, a decisão não foi uma surpresa. Foi coerente com os documentos escritos pelos dirigentes do BC", diz ele, destacando que a Selic entrou numa fase de ajuste fino.

Para ele, a frase "pausa no processo de flexibilização da política monetária", usada no comunicado do BC, mostra que a própria autoridade monetária acredita que ainda haja espaço para um juro real abaixo dos atuais 7,07% ao ano. O economista, porém, vê riscos na paralisação do corte da Selic. "Se o Fed (Federal Reserve, banco central americano) continuar cortando juros e a maré otimista prevalecer, o real pode ter valorização ainda maior ante o dólar", diz ele, que espera uma retomada dos cortes da Selic somente a partir do segundo trimestre de 2008.

O economista-chefe do Banco ABN-Amro para América Latina, Alexandre Schwartsman, ex-diretor do BC, defende a decisão do Copom. Ele destaca que o BC já vem cortando os juros há algum tempo, o que resultou em juros reais menores e economia mais aquecida.

Parando agora, se a inflação continuar sob controle, o Banco Central poderia voltar a cortar as taxas em dois ou três meses, avalia ele. Se cortasse agora e depois descobrisse que os índices de preços estão acelerando mais que o esperado, teria de elevar os juros. "O que está acontecendo hoje não é diferente das nossas projeções desde o começo do ano", completa ele.