Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2007 | Versão Impressa
Devo: mais que um show, uma experiência
Irônicos em relação ao show biz, veteranos seduziram platéia
Felipe Lavignatti
Surgido no final dos anos 70, o Devo faz um som particular que é imediatamente associado a uma época. A estética do grupo ajuda a fixar ainda mais a imagem retrô, responsável pelos inúmeros fãs no palco principal (main stage) do festival. Até mesmo os ilustres admiradores compareceram, como Fernanda Takai, do Pato Fu, que invadiu o palco durante a apresentação e deu um beijo no vocalista Mark Mothersbaugh.
Todos os integrantes do Devo - inclusive o baterista - ficaram enfileirados na frente do palco de onde trocavam de posições e ensaiavam suas coreografias robóticas. Banda mais famosa de uniforme da noite - a segunda era o Datarock, com seus macacões vermelhos -, o Devo empolgou no começo de sua apresentação, com That''''s Good e seguida de clássicos como Whip It! e a cover célebre dos Rolling Stones, I can''''t get no (Satisfaction).
O show foi muito mais performance do que música, como se fosse uma grande peça sobre a teoria de de-evolução pregada pelo grupo. Em show de rock é comum os músicos jogarem baquetas e palhetas de guitarra aos fãs. Nos show do Devo, não. As roupas amarelas e os chapéus vermelhos dos integrantes foram tirados do corpo e jogados ao público. Enquanto estava de uniforme, o Devo convenceu mais na imagem retrô que todos os fãs queriam ver. Ninguém queria ouvir música nova, só os hits. E eles cumpriram bem esse papel. Porém, sem o uniforme, a imagem é bem diferente.
A idade já chegou para os integrantes do grupo, cabelos brancos por baixo dos chapéus vermelhos. A postura musical não se altera, mas a maioria dos hits ficou na primeira metade. No final, Mark Mothersbaugh cobriu novamente seus cabelos brancos e entrou vestido do personagem Booji Boy para cantar Beautiful World.
Os canadenses do Tokyo Police Club apresentaram em um curto setlist seu som conciso e melódico. Evocando o pré-punk dos anos 70, mistura a simplicidade com um teclado quase inaudível, tamanha é a massa sonora da guitarra, bateria e baixo. Dave Monks, baixista e vocalista, parecia desconfortável enquanto cantava, como se quisesse largar o baixo e pular com seu próprio som. Como são praticamente desconhecidos no Brasil (têm apenas dois EP''''s lá fora), não hesitaram em arriscar músicas novas, que arrancavam a mesma reação da pequena mas participativa platéia.