Sexta-Feira, 23 de Novembro de 2007 | Versão Impressa
Mulher de Beira-Mar atuava como gerente da quadrilha
De dentro da cela, traficante ainda comandava o tráfico de armas e drogas
Marcelo Auler e Clarissa Thomé, RIO
Segundo o delegado Vitor César, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes do Rio, na casa de Jaqueline, em Jacarepaguá, foram encontrados R$ 200 mil e US$ 130 mil em espécie.
Ela tomou a frente dos negócios depois do desaparecimento do advogado João José Vasconcelos Kolling, de 29 anos. Com registro original da Ordem dos Advogados do Brasil, seção do Ceará (OAB-CE), Kolling estava atuando no Rio. A PF acredita que ele foi assassinado pelo grupo.
TELEFONE
As investigações sobre a continuidade dos negócios de Beira-Mar começaram quando ele estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Brasília e dispunha de um celular - mas estava sendo monitorado. Após sua transferência para o Presídio Federal de Catanduvas (PR), em junho de 2006, não usou mais o telefone, segundo o delegado Mesquita. A partir daí, seus contatos com a quadrilha passaram a ser feitos por um advogado preso ontem no Rio, que a polícia não identificou, e por parentes e amigos que o visitavam. Segundo as investigações preliminares, ele também aliciava alguns parentes de presos para atuar como emissários.
Em julho, Beira-Mar foi levado para a Penitenciária Federal de Campo Grande (MS). Lá, casou-se em setembro com Jacqueline, com quem namorava havia 15 anos - e tem três filhos. Tiveram direito a uma breve lua-de-mel na cela íntima.
Durante o ano e meio de investigação, foram feitos 13 flagrantes contra a quadrilha, que tentava trazer mercadoria pelo Paraná. Segundo Mesquita, as apreensões totalizaram 750 quilos de cocaína, 4 toneladas de maconha, várias armas - fuzis e pistolas -, mil cartuchos de munição para fuzil e um avião.