Terça-Feira, 27 de Novembro de 2007 | Versão Impressa
Rimas ricas unem Brasil e a herança dos ibéricos
Na 1.ª edição, Em Mar Aberto promove diálogo entre os versos em português e nas línguas da Espanha e questiona uniformidade cultural em tempos de globalização
Francisco Quinteiro Pires
O Em Mar Aberto vai ser realizado de hoje a quinta no Instituto Cervantes e na Casa das Rosas e ''''não se trata apenas de leitura de poesias, mas de um momento de reflexão de poetas críticos na esteira da modernidade'''', diz Horácio Costa, autor de Quadragésimo (Ateliê) e O Livro dos Fractas (Iluminuras). Além de recitais de poesia, haverá três mesas de debates, divididas nos três dias do evento, cujo início é sempre às 19 h. Além de mostrar as convergências e diferenças entre as línguas ibero-americanas, elas vão questionar a uniformização da cultura em tempos de globalização.
A novidade é a inclusão da Espanha. Os quatro idiomas oficiais das terras espanholas são contemplados pelos poetas Julia Barella Vidal (castelhano); Kepa Murua (basco); Joseph Domenech (catalão) e Manuel Fernández Rodríguez (galego). ''''Vamos discutir como linguagens imperais, como o espanhol e o português, podem se unir para desenvolver manifestações literárias diante da globalização'''', diz Costa.
Em 1990, Horácio Costa promovera a confluência das criações e reflexões de 17 poetas hispano-americanos no Memorial da América Latina, evento que resultou no livro A Palavra Poética na América Latina e que teve continuidade em 1998 na Biblioteca Mario de Andrade.
Os destaques de Em Mar Aberto são o cubano Lorenzo García Vega e o português E. M. de Melo e Castro. Aos 81 anos, García Vega é um dos ícones da poesia cubana recente - da mesma geração de Lezama Lima - e integrou a redação da lendária revista Orígenes. Ele faz a conferência de encerramento do evento depois de amanhã, às 20h30, na Casa das Rosas.
Autor de 22 livros de poesia e 18 de ensaios e teoria literária, E. M. de Melo e Castro é o introdutor da poesia concreta em Portugal, participante do movimento Poesia Experimental Portuguesa, dos anos 1960, e pioneiro no campo da videopoesia. Ele faz amanhã, às 20h30, na Casa das Rosas a conferência Tecnopoesis - Que Futuro para a Poesia?
Além de integrar a mesa de debate inaugural, o professor catedrático da Universidade do Porto Arnaldo Saraiva realiza na sexta, às 19 h, uma atividade paralela na Casa das Rosas - a apresentação da primeira tradução integral em língua portuguesa dos 11 poemas do trovador Guilherme IX de Aquitânia (1071-1126). Entre os brasileiros participantes estão Frederico Barbosa, Claudio Daniel e Maria Esther Maciel. Mais informações no telefone 3822-2627.
Serviço
Em Mar Aberto - Poesia em Português e nas Línguas da Espanha. Instituto Cervantes. Avenida Paulista, 2.439, 3897-9600. Hoje, 19 h. Grátis. Casa das Rosas. Av. Paulista, 37, 3285-6986. Amanhã e 5.ª, 19 h. Grátis. Até 29/11