Terça-Feira, 27 de Novembro de 2007 | Versão Impressa

Turbulência pode afetar o Brasil, prevê consultoria

João Caminoto

A consultoria Economist Intelligence Unit (EIU) prevê que a economia brasileira continuará a apresentar sólido crescimento nos próximos anos, mas alertou que o País poderá ser prejudicado pela turbulência que afeta os mercados financeiros internacionais. Em relatório mensal, divulgado ontem, a entidade britânica afirma que a economia brasileira terá um crescimento médio anual levemente superior a 4% de 2008 a 2012, um desempenho mais forte do que entre 2003 e 2007, que foi pouco acima dos 3%.

"Recentes indicadores domésticos elevaram a revisão para cima dos números, mas a continuidade dos problemas nos mercados financeiros mundiais também aumentou os riscos para o Brasil, já que o nível da dívida pública ainda é alto", diz o relatório. "O crescimento brasileiro vai continuar bem inferior às taxas vistas em muitos outros mercados emergentes, especialmente na Ásia."

A EIU observou que o investimento fixo no País - cerca de 17% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2006 - continua baixo em comparação com outros países latino-americanos, embora deva aumentar nos próximos anos por causa da queda das taxas de juros reais. "O relaxamento monetário, que eventualmente vai reduzir a Selic dos atuais 11,25% para 9,25% no fim de 2012, vai estimular os investimentos e o consumo privado." As recentes altas nas notas conferidas pelas agências classificadoras de risco também melhoram as perspectivas de crescimento ao reduzir os custos financeiros.

Segundo a EIU, as exportações brasileiras são estimuladas pelo forte aumento na capacidade de produção no setor de commodities. E o fato das empresas manufatureiras também usarem o vigor do real para comprar bens de capital no externo expande e moderniza os negócios. " Isso vai ajudar a compensar o impacto negativo do real fortalecido sobre a competitividade."

EUA E PETRÓLEO

A EIU elevou ainda a previsão de crescimento dos EUA em 2008, de 1,2% para 1,5%. A mudança reflete o impacto do ritmo acima do esperado no terceiro trimestre de 2007. "Mas mantemos a possibilidade de desaceleração no crescimento no quarto trimestre, causado pelo desaquecimento imobiliário."

As projeções para o petróleo também subiram. O preço do barril Brent será de US$ 78, em 2008, e de US$ 72 em 2009. Antes, a previsão era de US$ 69,50 e US$ 63,80, respectivamente. A queda dos estoques mundiais de petróleo foi base para as revisões do EIU.