Terça-Feira, 27 de Novembro de 2007 | Versão Impressa

Games atraem estrangeiros

Grupos internacionais investem em empresas de jogos brasileiras

Marianna Aragão

Há tempos os games deixaram de ser um passatempo para o empresário Dennis Coelho, de 27 anos. Aos 13, ele aprendeu sozinho a programar jogos que ele mesmo desenhava e montava. Depois de terminar o curso de Ciências da Computação e o mestrado em Inteligência Artificial, Coelho resolveu apostar sério no negócio ao criar a Palmsoft, desenvolvedora de jogos para palmtops e celulares.

Por dois anos, a empresa funcionou, embora a contragosto de seus criadores, como um verdadeiro hobby. "Foi um período em que só investimos, criando os jogos, mas sem vender", diz Coelho. Em 2005, em uma feira em São Paulo, o caminho dos jovens se cruzou com o do empresário do ramo de telecomunicações Valber Bittencourt. "Vi a chance de unir o conhecimento dos garotos à minha experiência em telecomunicações."

Em contato com as operadoras, o negócio deslanchou. Hoje, os joguinhos saídos das bagunçadas mesas da empresa em Florianópolis são distribuídos pela Claro, Telefônica e Vivo, além de outras operadoras no Chile, México, Ucrânia e Malásia. Além disso, foi criada uma nova empresa, batizada de MDev, que produz, além dos games, conteúdo como músicas e papéis de parede para celular.

Dobrando de tamanho a cada ano, a MDev acabou chamando a atenção de grupos estrangeiros. Em março, a empresa foi vendida por US$ 1,6 milhão para a neozelandesa CRE8, uma das líderes mundiais do setor - que passou a concentrar o seu desenvolvimento de jogos, músicas e outros conteúdos para celulares em Santa Catarina.

O histórico da MDev é um exemplo de como a criatividade e o esforço de jovens empreendedores estão despertando o interesse de grupos estrangeiros de games, um mercado que gira R$ 2,2 bilhões por ano no mundo. No Sul do País, esse movimento tem se consolidado com mais força nos últimos anos. Em Florianópolis, que registrou crescimento de 450% no número de empresas de tecnologia da informação desde 2002, já há pelo menos 10 que desenvolvem games. No País, são cerca de 40 empresas, segundo a Associação Brasileira de Desenvolvedores de Games (Abragames).

Fundada em Curitiba há dois anos, a Techfront abriu há seis meses uma filial em Florianópolis. O motivo é um contrato com a americana Egames, uma das maiores do mercado mundial. Há um ano, a pequena empresa criada pelo ex-analista de sistema César Barbado, de 36 anos, passou a produzir jogos para a Egames. Um deles, o Burger Island, chegou a ficar duas semanas como o game com maior número de downloads no site Yahoo.

"Os americanos vêm para cá em busca de parceiros para projetos menores, que não são rentáveis para eles nos EUA", diz Barbado. Além da Egames, outras duas companhias daquele país fecharam contratos com a Techfront. A mudança para a capital catarinense, segundo o empresário, segue a estratégia de expansão da empresa. "Precisaremos de mais funcionários e teremos maior oferta de mão-de-obra." A intenção é transferir a matriz para lá em 2008.

De olho nessa movimentação, o governo catarinense promete investir R$ 2,5 milhões nos próximos dois anos para tornar o Estado um pólo nacional de games. O valor será usado na criação de laboratórios de pesquisas e capacitação de mão-de-obra dentro das universidades e no ensino médio. "Queremos preparar o Estado para atrair mais empresas internacionais", diz o diretor da área de tecnologia da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Paulo de Tarso Luna.

GAMES EM ALTA

União de forças: Para estimular a sinergia entre os empreendedores, o Estado de SC vai instalar as jovens companhias do setor em um único prédio

Pesquisa e capacitação: R$ 2,5 milhões serão investidos na criação de quatro laboratórios e capacitação de mão-de-obra em escolas técnicas e universidades

Incentivo: A participação em feiras internacionais de negócios será estimulada